Sinopse
A casa de Dawes está prestes a ser demolida. A lavanderia onde trabalhou a vida inteira também. Tudo que ele conhece irá ao chão para que as máquinas abram caminho para a extensão da autoestrada, e Dawes já decidiu que vai resistir. Não importa o quanto isso afete sua vida profissional e o seu casamento, ele não vai se entregar.
Resenha
No início dos anos 70, nos EUA, a guerra do Vietnã estava chegando ao fim, o caso Watergate havia explodido, e a crise do petróleo estava instalada. É nesse cenário de instabilidade geral da nação que Dawes se vê obrigado pela prefeitura a deixar sua casa e o seu trabalho para que uma nova parte da rodovia seja construída no lugar. Dawes construiu sua família naquela casa e a sua carreira na lavanderia onde hoje é gerente de uma das unidades. Para ele, ceder ao Estado é como deixar sua vida inteira debaixo de escombros.
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Dawes e Mary se conheceram ainda jovens, ela engravidou e ele conseguiu um emprego em uma lavanderia. Os chefes viram potencial naquele funcionário e investiram na formação dele, pagando a faculdade e fazendo de Dawes um futuro gerente. Mary perdeu o bebê, mas depois veio Charlie, uma criança adorável que o câncer levou ainda na infância.
A mãe lidou com o luto melhor do que o pai, que nunca tratou o vazio no seu coração. Dentro desse vazio, brotou um apego aos tijolos de sua casa, onde as lembranças de Charlie ainda estavam vivas. Se as paredes ruíssem, onde as memórias iriam parar? Obstinado a mantê-la de pé, Dawes passa a ignorar os avisos da prefeitura e a elaborar planos violentos para defender seu território.
A narrativa se desenvolve a partir de um calendário vai lembrando tanto o leitor quanto Dawes sobre o fim do prazo para desocupação da casa. A passagem dos dias o pressiona e seu discernimento do que é lícito e do que não é vai se deteriorando junto com sua sanidade mental. A capa do livro, com o personagem segurando uma arma, antecipa os planos de Dawes. Ele tentará resistir contra o Estado e o suposto progresso.
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Este não é um dos tradicionais livros de terror de King – aqui assinando como Bachman para driblar uma manobra editorial da época que permitia apenas uma publicação de livro por ano por autor – em que os seres sobrenaturais são os protagonistas, mas um suspense psicológico que imerge na mente de um homem corroído pela morte do filho e impotente diante do poder público.
Dawes perde muito mais do que o trabalho e a casa, perde o controle sobre si próprio e sucumbe ao desespero. Por mais louvável que seja sua valentia para defender sua propriedade, o caminho escolhido é pavimentado por amargura.
É a minha terceira leitura de King (já passaram pelas minhas mãos O nevoeiro e O lobisomen), e eu nunca me decepciono com a capacidade do autor de não me deixar entediada. Suponho que há livros ainda melhores do que este, mas A autoestrada me satisfez. Uma boa recomendação para quem gosta das obras do mestre.
Sobre o autor
Stephen King nasceu em Portland, Maine, em 1947, o segundo filho de Donald e Nellie Ruth Pillsbury King. Ele vendeu seu primeiro conto profissional em 1967 para a Startling Mystery Stories. No outono de 1971, começou a lecionar inglês no ensino médio na Hampden Academy, a escola pública de Hampden, Maine. Escrevendo à noite e nos fins de semana, continuou a produzir contos e a trabalhar em romances. Na primavera de 1973, a Doubleday & Co. aceitou o romance Carrie para publicação, o que lhe permitiu deixar o ensino e se dedicar à escrita em tempo integral. Desde então, publicou mais de 50 livros e se tornou um dos escritores de maior sucesso no mundo. King recebeu a Medalha da Fundação Nacional do Livro de 2003 por sua distinta contribuição às letras americanas e a Medalha Nacional das Artes de 2014.
Sobre o livro
Título: A autoestrada
Autor: Richard Bachman (Stephen King)
Editora: Suma
Páginas: 344
Ano da primeira publicação: 1981
Avaliação: 3/5
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