Sou uma pessoa de poucos hobbies e um deles é assistir a filmes. Religiosamente, aos fins de semana, sem me importar com o nome do diretor (desde que o título esteja bem avaliado no IMDb), ou com o enredo (desde que não seja de terror), ou com o elenco (desde que não tenha o Pedro Pascal, porque estou saturada de vê-lo fazer filmes no atacado), abro um serviço de streaming e me entretenho. Não me considero cinéfila (nada contra, tenho até amigos que são!), sou apenas uma telespectadora que tem na lista dos favoritos filmes considerados medianos pelos especialistas. Se você quiser acompanhar minhas singelas opiniões, este é o meu…
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[Resenha] A Guerra dos Mundos – H. G. Wells
Para mim, existe uma ordem de natureza literária que merece ser respeitada: primeiro o livro, depois o filme. Ao inverter, o resultado tende a ser frustrante, principalmente se você julga o filme muito bom. Já tive experiências assim com Um amor para recordar, baseado no livro do Nicholas Sparks, O Leitor, adaptação da obra de Bernard Schlink, e agora com A Guerra dos Mundos, protagonizado nos cinemas pelo lendário Tom Cruise (também gostei muito do filme Um lugar bem longe daqui, e temo não apreciar tanto o livro da autora Delia Owens). Não precisamos entrar na discussão enfadonha de que filmes são produtos diferentes, e que, portanto, não devem fidelidade…
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[Resenha] Livros demais! – Gabriel Zaid
Ler um livro de análise crítica publicado em 2002 é como encontrar um jornal velho, com a diferença de que, no jornal, as notícias de fato envelhecem, e livros como o de Gabriel Zaid tornam-se textos de referência. O que estava acontecendo em 2002? O 11 de setembro havia acabado de acontecer e mudado para sempre a segurança internacional, o Brasil ganhava o pentacampeonato, e a Amazon estava explodindo no comércio editorial. Em uma série de artigos, Zaid analisa a produção massiva de livros, a relação entre oferta e demanda, entre cultura e comércio, o comportamentos de leitores, e lança luz sobre uma questão que ainda hoje é pertinente: o…
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[Resenha] A Máquina do Tempo – H. G. Wells
No século XIX, um cientista entra em uma máquina construída por ele mesmo e se transporta mais de 800 mil anos para o futuro. Lá, encontra uma realidade bastante diferente da que conhecia e, aparentemente, perfeita. Ao longo dos dias, o Viajante do Tempo descobre que tanta harmonia teve um custo. No início do livro, o leitor observa uma reunião que acontece sempre às quinta-feira na casa de um cientista muito curioso e empenhado em criar engenhocas. Seus amigos são um jornalista, um psicólogo, um editor, e outros sujeitos identificados apenas pelas suas ocupações profissionais. Em suma, indivíduos de uma elite letrada que conversa sobre uma série de assuntos enquanto…
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[Resenha] Todos os caminhos levam a Roma – Scott e Kimberly Hahn
Desde a minha conversão, há cerca de cinco anos, eu ouvia falar do livro Todos os caminhos levam a Roma. É um título potente, objetivo, que sugere um conteúdo transformador. Contudo, pouco curiosa que sou, nunca me interessei em ler a sinopse, mas o mantive na minha lista de desejos por um bom tempo, até encontrar um exemplar em um sebo de feira do livro. Eu não sabia que essa edição narrava a conversão do casal Scott e Kimberly Hahn, nascidos e criados – como se diz aqui na minha terra – em famílias protestantes e convertidos ao catolicismo já adultos, casados, e pais de três filhos. No livro, ora…
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[Resenha] Filha – Manoela Sawitzki
Existe uma legião de filhos e filhas de pais desfuncionais que compartilha experiências e sentimentos semelhantes da própria história. Manoela Sawitzki divide com o leitor parte de suas memórias nesse relato quase autobiográfico e de título puramente sugestivo: Filha. A narrativa se desconstrói em volta da relação de uma filha caçula com seu pai, um sujeito autoritário, alcóolatra, violento, mas ainda seu pai. A voz do texto volta aos 11 anos de idade e, fase a fase, vai contando como era conviver com o inimigo sangue do seu sangue. Num contexto de anos 80-90, tudo era ainda mais complexo, uma vez que as relações domésticas se entrelaçavam às circunstâncias da…
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[Resenha] Robinson Crusoé – Daniel Defoe
O primeiro requisito para apreciar a leitura de Robinson Crusoé é ter inclinação para gostar de diários. O segundo é não se aborrecer com descrições minuciosas. Como eu não tenho nem um dos dois, não foi um livro de que gostei muito. Contudo, ainda foi uma leitura proveitosa. A narrativa não é dividida em capítulos. São apenas duas partes, onde a primeira conta o início da vida do protagonista como marinheiro, e a segunda narra como ele sobreviveu sozinho em uma ilha remota. Tudo pelo viés do próprio Crusoé, que expõe também suas reflexões pessoais nos momentos de triunfo e de fracasso. O primeiro sentimento escancarado é o de arrependimento.…
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O Natal da Senhora Deise
Aquela hora do dia sempre chegava. Eu estava sentado no sofá, no meio da tarde chuvosa, com minhas velhas e confortáveis meias, quando minha mãe me mandava ao mercado comprar algum item que havia esquecido para o jantar. Era a tarde mais preguiçosa e aconchegante do ano, não fosse a bendita caixa de leite que escapara da lista de compras no dia anterior e agora cabia a mim e ao meu irmão buscar. Ainda havia isso: era preciso ir na companhia de Marcos. Por um lado, era justo, pois nenhum de nós dois seria beneficiado enquanto o outro fosse punido a sair sob a chuva. Por outro, meu irmão caçula…
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New Adult x Young Adult: entenda a diferença entre os dois gêneros literários
Se você ama livros com protagonistas jovens, mas já se perguntou qual é a diferença entre Young Adult (YA) e New Adult (NA), este post é para você. Embora os dois gêneros pareçam próximos, eles exploram fases diferentes da . O que é Young Adult (YA) O gênero Young Adult, ou jovem adulto, é voltado para leitores entre 12 e 18 anos. Os protagonistas costumam estar no ensino médio, descobrindo quem são, enfrentando dilemas familiares, amizades intensas, primeiros amores e decisões que começam a moldar seu futuro. A linguagem é direta, envolvente, e reflete o olhar adolescente sobre o mundo, cheio de descobertas, mas também de incertezas. Leia também Personagens…
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[Conto] Último dia
Eu estava atrasado quando entrei na sala de reuniões e coloquei, discretamente, a bandeja de sanduíches sobre a mesa, ao lado da torta de frango que eu sabia ter sido feita pela Norma, do setor de Recursos Humanos. Ela era uma senhora que quase sempre vinha trabalhar com o mesmo tipo de roupa: calça jeans, alguma blusa estampada, cabelo preso e sapatilhas. Tinha muitos vídeos dos netos no celular, e eu os assistia com atenção e paciência, pois gostava de receber, às segundas-feiras, um potinho com as sobras do almoço dela de domingo. Por isso, eu reconhecia aquela torta pelo cheiro. Ela estava do outro lado da sala, empolgada, filmando…
























