Bastidores

Era uma vez uma contista de romances

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Escrever contos é uma das melhores maneiras de praticar a escrita, mas, para mim, uma contadora de longas histórias, não é o mais fácil dos exercícios.

A começar pelo tamanho da narrativa.

Como assim eu preciso contar em cinco páginas toda a vida de Juliana se eu tenho ótimos episódios para destrinchar desde antes do seu nascimento, quando sua mãe achou que a gravidez era um simples acesso de gases?

Como eu vou apresentar, em tão poucas linhas, a amizade com Lana, a amiga do jardim de infância que dividiu sua torta de banana em um dia triste no recreio?

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E como, por Deus, eu vou ter espaço para lembrar do dia que Juliana se encontrou com Diego, embaixo de um pé de amêndoas, e a polícia apareceu achando que os dois eram fugitivos de um assalto na região?

A história de Juliana é muito boa para caber em cinco páginas.

Sem contar quando aparecem aqueles editais de concursos literários dizendo em um tópico bem incisivo que contos com mais de duas laudas não serão aceitos? Tá de brincadeira?! Duas laudas? Isso dá pra mal pra começar! E aí você se vê enxugando a narrativa ao máximo até dizer com êxito tudo que você quer dizer. E com poesia.

A verdade é que contos me tiram da zona de conforto e com isso me levam a lapidar a minha história sem, no entanto, deixá-la pobre. É claro que um conto e um romance não podem ser comparados só por aí, não é uma simples escolha de estrutura ou um castigo para escritores que escrevem demais. Algumas coisas não podem ser ditas em algumas páginas e outras só são bem faladas se escritas em centenas delas.

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O que quero dizer é que escrever contos me faz arrancar os cabelos, mas também me leva a escrever sobre o que realmente importa: o evento pelo qual o protagonista está passando. Sabe, às vezes não importa de onde ele veio, quem são seus pais ou como seu primeiro beijo mal dado o levou a não cumprimentar aquela moça por vários anos, por pura vergonha; às vezes, o leitor só quer saber se ele vai conseguir sair do metrô a tempo de não se atrasar para a entrevista de emprego.

É claro que eu, Sabryna, poderia delinear todo um pano de fundo e inventar, de última hora, uma secretária bonita, simpática, cujo vestido de bolinhas iria chamar a atenção dele, ou um chefe bem humorado que riria do seu atraso e diria “Tudo bem, acontece, não se preocupe pois está contratado mesmo assim” e no final se mostrasse um serial killer de primeira. Possibilidades, sabe? Opções que o romancista tem que fingir não ver pulando de um lado para o outro em cima do teclado como duendes recém saídos de uma toca qualquer.

Um conto é um conto, um romance é um romance.

Conheça meus livros

Dito isso, comecei a escrever um conto. Para não me perder em devaneios narrativos, fui logo para o que interessava: o protagonista correndo no meio de uma floresta à procura da esposa e da filha. Foi um bom começo, pois começaram a surgir em minha cabeça as mesmas perguntas que provavelmente surgirão no leitor: Por que ele está correndo? O que aconteceu? E essas perguntas vão me guiando através da narrativa rápida, fluída, e que entrega o que promete: um evento e o desenrolar dele.

Leia aqui o meu conto Fique na floresta

Não tenho feito estudos mais aprofundados sobre a escrita do conto, falha minha até aqui, e por enquanto eles têm servidos de exercício, de alimento para meus leitores e de conteúdo para minhas plataformas.

Quem sabe no futuro eu não assine como romancista E contista? Só preciso me empolgar menos na hora de escrever.

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