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A incrível sensação de escrever um livro

Terminei meu romance. O post inteiro poderia ser apenas essa frase. Terminei meu romance. Terminei meu romance. É claro que ainda estamos na primeira versão, ainda há ajustes e tudo mais, mas sabe há quanto tempo eu não dizia isso? Oito anos. Oito anos de adiamentos, de inseguranças, de dúvida da minha própria capacidade. Será o melhor livro do mundo? Certamente não. Será o melhor livro que eu já escrevi na minha carreira? Incógnita maior ainda. Mas eu terminei. Eu digitei as últimas cenas e cravei a palavra FIM com muito gosto no final. E foi um final onde eu teclei furiosamente, ansiosa por terminar, ao mesmo tempo em que chorava com as despedidas dos personagens, o desenrolar das histórias, e enchia meu peito com uma empolgação que há muito tempo eu não experimentava. Leia também Inspiração para escrever: isso existe? É incrível terminar um livro. É incrível criar pessoas totalmente novas, inseri-las em um contexto, mudar esse contexto, decidir a vida delas de uma linha para a outra e no fim ser totalmente responsável por tudo de bom e de ruim que acontece com elas, e, ainda assim, senti-las mais vivas do que você mesmo pode controlar. Murakami diz que chega um ponto do livro em que os personagens simplesmente caminham por si só e você apenas coloca isso no papel. Essa é uma verdade acredito que contestada por poucos. Em alguma hora o poder de decisão já não parece mais só seu, mas sim uma parceira, uma concessão, onde os personagens têm a liberdade e você o poder de transmitir isso ao mundo. Não sei se isso acontece com vocês, mas eu me sinto profundamente próxima dos meus personagens, como uma família, como vizinhos de longa data. Eu sei tudo sobre eles, mas ao mesmo tempo, não sei. O que vai acontecer depois que eu fechar esse livro? Para onde eles vão? Para mim, eles continuarão existindo em alguma realidade paralela e vez ou outra eu me lembrarei deles e me perguntarei: o que Cecília está fazendo agora? Conheça meus livros Terminar um livro é chegar no topo da montanha mesmo depois de percorrer um caminho frio, cheio de pedras e mosquitos. Você quer voltar inúmeras vezes, desistir, convencer a si mesmo de que não faz diferença alcançar ou não aquele cume, porque vai ver a vista nem é tão bonita assim. E às vezes não é mesmo! Digo, a minha montanha é diferente da montanha do Stephen King, por exemplo. Quando ele chega lá há uma legião de fãs esperando sedentos para aplaudi-lo. Eu, com sorte, terei meus amigos próximos dizendo “É isso aí, você conseguiu!”, e um sorrisinho bem intencionado. Ainda assim, é uma sensação ótima. Eu sou capaz. E se fui uma vez, posso ir de novo. O que você sente ao terminar de escrever um livro? Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Escritora de livros ou de legenda do Instagram?

Eu sempre falo aqui o quanto é importante criar uma audiência online e se relacionar com ela de maneira constante. Isso é fundamental quando falamos em criar uma identidade digital e se fazer visto na internet. Mas como se faz isso? Através da produção de conteúdo. Ter um perfil no Instagram, ou uma página no Facebook, e um site (ainda que gratuito) para mim é o básico. São nesses locais que você vai se apresentar ao seu leitor e apresentar a ele o seu trabalho. É o que venho fazendo, além de compartilhar o meu aprendizado com outros escritores. Porém, uma coisa nesse mundo virtual é certa: não é fácil produzir conteúdo de qualidade o tempo todo e com constância. Você precisa de um tempo que nem sempre tem e nem sempre as plataformas serão generosas com você como você é generosa com elas. Leia também Como fui de leitora a escritora O Instagram, por exemplo, é uma rede social bem sacana, com o perdão da palavra. Ela é como aquela velha ranzinza que vira a cara para você caso não receba a atenção que julgue necessária. Entre o Natal e o Ano Novo uma semana sem postagens foi o suficiente para levar minhas métricas ao negativo. Aqui no blog surgem reações parecidas, mas não tão bruscas. Um mês sem eu aparecer gera uma queda nas visualizações, mas não chega a zerar. Acho que a internet entende a validade do meu descanso e continua a rodar meus posts por aí enquanto eu dou uma respiradinha offline. Os gurus do marketing digital diriam que reclamar não adianta nada (e de fato não adianta. Não entenda esse artigo como um pedido de likes ou coisa parecida) e que a solução está em intensificar a criação de conteúdo e bolar uma boa e bem definida estratégia de distribuição. E eles estão certíssimos. Participe do canal do Telegram Escritores do Presente Mas aí é que tá. Eu fui atrás disso e acabei me dando conta que vinha escrevendo mais conteúdo online do que meus próprios livros. Não foram raras às vezes em que deixei de trabalhar no meu romance para agendar postagens no Instagram e no final do dia o meu post ser só mais um na timeline (que a plataforma sequer entregou para todos os meus seguidores!). Já passei horas fazendo artes pra postar no Facebook e a publicação alcançar uma ou duas pessoas (de um universo de mais de 100). Mais uma vez: não é um choramingo, mas uma reflexão sobre as prioridades. Eu me vejo mais como escritora ou como produtora de conteúdo? Se a produção de conteúdo serve para atrair audiência – os leitores – e eu nunca tenho um livro para apresentar, de que me serve essa produção? Conheça meus livros Nas metas desse ano eu penso em escrever mais livros e menos conteúdo online. Não porque eu não acredite na eficácia, muito pelo contrário, continuarei a estimular essa estratégia por aqui e continuarei aplicando na minha carreira, até onde me for humanamente possível. Acontece que minha energia é limitada, minhas horas do dia são limitadas e minha vida na Terra também é limitada. Eu tenho projetos paralelos e um emprego que nada tem a ver com a Literatura, ou seja, infelizmente não posso dedicar todo o meu dia à escrita, por isso quero gastar mais tempo colocando minhas histórias no papel em vez de alimentando o monstrinho que Zuckenberg criou, por exemplo. As publicações aqui no blog e no Instagram (também estou no Telegram pois é importante aparecer em todo lugar) seguirão a pleno vapor, mas quando todo o meu tempo disponível for uma hora no dia, essa hora será gasta escrevendo meus livros, afinal eu me apresento aqui como escritora e a produção de conteúdo é para servir como um colchão inflável que vai crescendo e me deixando mais alta conforme eu encho ele de ar. À medida que eu diminuo a velocidade ele vai murchando, mas o que interessa mesmo são os livros que eu venho lendo e escrevendo deitada sobre ele. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Era uma vez uma contista de romances

Escrever contos é uma das melhores maneiras de praticar a escrita, mas, para mim, uma contadora de longas histórias, não é o mais fácil dos exercícios. A começar pelo tamanho da narrativa. Como assim eu preciso contar em cinco páginas toda a vida de Juliana se eu tenho ótimos episódios para destrinchar desde antes do seu nascimento, quando sua mãe achou que a gravidez era um simples acesso de gases? Como eu vou apresentar, em tão poucas linhas, a amizade com Lana, a amiga do jardim de infância que dividiu sua torta de banana em um dia triste no recreio? Participe do canal do Telegram Escritores do Presente E como, por Deus, eu vou ter espaço para lembrar do dia que Juliana se encontrou com Diego, embaixo de um pé de amêndoas, e a polícia apareceu achando que os dois eram fugitivos de um assalto na região? A história de Juliana é muito boa para caber em cinco páginas. Sem contar quando aparecem aqueles editais de concursos literários dizendo em um tópico bem incisivo que contos com mais de duas laudas não serão aceitos? Tá de brincadeira?! Duas laudas? Isso dá pra mal pra começar! E aí você se vê enxugando a narrativa ao máximo até dizer com êxito tudo que você quer dizer. E com poesia. A verdade é que contos me tiram da zona de conforto e com isso me levam a lapidar a minha história sem, no entanto, deixá-la pobre. É claro que um conto e um romance não podem ser comparados só por aí, não é uma simples escolha de estrutura ou um castigo para escritores que escrevem demais. Algumas coisas não podem ser ditas em algumas páginas e outras só são bem faladas se escritas em centenas delas. Leia também Minhas histórias são horríveis O que quero dizer é que escrever contos me faz arrancar os cabelos, mas também me leva a escrever sobre o que realmente importa: o evento pelo qual o protagonista está passando. Sabe, às vezes não importa de onde ele veio, quem são seus pais ou como seu primeiro beijo mal dado o levou a não cumprimentar aquela moça por vários anos, por pura vergonha; às vezes, o leitor só quer saber se ele vai conseguir sair do metrô a tempo de não se atrasar para a entrevista de emprego. É claro que eu, Sabryna, poderia delinear todo um pano de fundo e inventar, de última hora, uma secretária bonita, simpática, cujo vestido de bolinhas iria chamar a atenção dele, ou um chefe bem humorado que riria do seu atraso e diria “Tudo bem, acontece, não se preocupe pois está contratado mesmo assim” e no final se mostrasse um serial killer de primeira. Possibilidades, sabe? Opções que o romancista tem que fingir não ver pulando de um lado para o outro em cima do teclado como duendes recém saídos de uma toca qualquer. Um conto é um conto, um romance é um romance. Conheça meus livros Dito isso, comecei a escrever um conto. Para não me perder em devaneios narrativos, fui logo para o que interessava: o protagonista correndo no meio de uma floresta à procura da esposa e da filha. Foi um bom começo, pois começaram a surgir em minha cabeça as mesmas perguntas que provavelmente surgirão no leitor: Por que ele está correndo? O que aconteceu? E essas perguntas vão me guiando através da narrativa rápida, fluída, e que entrega o que promete: um evento e o desenrolar dele. Leia aqui o meu conto Fique na floresta Não tenho feito estudos mais aprofundados sobre a escrita do conto, falha minha até aqui, e por enquanto eles têm servidos de exercício, de alimento para meus leitores e de conteúdo para minhas plataformas. Quem sabe no futuro eu não assine como romancista E contista? Só preciso me empolgar menos na hora de escrever. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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5 ações para escrever mais: como cheguei em 100k palavras pela primeira vez na vida

Acabei de bater as 100 mil palavras no meu novo romance. Estou surpresa. Há muito tempo eu não ia tão longe em um projeto de escrita. Nos últimos anos vinha sendo a escritora empolgada no começo e murcha do meio para o final. Arquivos inacabados no meu computador não faltam. Qual o segredo para ter sido diferente desta vez? A mudança de mentalidade me levaram a essas cinco ações: 1. Contei para as pessoas no que estou trabalhando Não costumo ser do tipo que sai contando os planos por aí (por timidez mesmo), por isso deixar todos saberem do meu novo livro me fez criar uma espécie de compromisso público. “Agora as pessoas estão esperando, eu preciso terminar”. Não se trata de dar satisfação, mas de usar a expectativa para me impulsionar a concluir. 2. Criei um planejamento de escrita Nunca tinha feito isso em toda a minha existência e achava uma grande besteira até o dia em que entendi o quão importante isso seria para eu não me perder. Estruturei em três atos o enredo da minha cabeça e comecei o livro sabendo exatamente onde queria chegar. Embora algumas coisas tenham mudado no meio do caminho – tive novas ideias e achei algumas originais ruins –, eu sempre posso consultar meu planejamento e lembrar do caminho que tinha pensado para minha história. Leia também Minhas histórias são horríveis 3. Valorizei cada linha Em outros tempos, se eu me sentasse para escrever e dali só saíssem três ou quatro palavras para mim era o início de um abandono. “Isso não está funcionando”, “Eu não vou terminar nunca” “Não consigo evoluir”. Substituí esses pensamentos por outros mais otimistas. “Já é um texto maior do que ontem”, “Já é o começo de uma cena”, “Já é alguma coisa”. Escrever poucas linhas é muito melhor do que não escrever nada. 4. Parei de me importar com a qualidade do texto Hemingway me libertou de mim mesma com o aviso “O primeiro rascunho é uma merda”. Perdi as contas de quantas vezes abandonei uma história por ler a primeira versão – que eu sequer tinha finalizado – e julgá-la como o texto mais mal escrito da face da Terra. Posso relembrar a clareza a ansiedade que isso me dava e o fracasso de pensar na minha incapacidade em escrever algo bom e útil. Hoje, no romance atual, tem uma série de cenas horrorosas e diálogos horripilantes, mas eu estou quase terminando a primeira versão, isso que importa. Se eu não escrever não tenho o que editar. Conheça meus livros 5. Publiquei outras produções Escrever um romance não é tão simples e não acontece do dia para a noite. Por mais enxuto que seja seu enredo, por menos personagens que tenha, a estrutura complexa pede calma, atenção e cuidado na montagem. Isso leva tempo e às vezes tudo que você precisa é de que algo aconteça nesse intervalo. Por isso no meio do ano eu publiquei um conto na Amazon. Me dediquei ao processo de escrita, revisão, edição, publicação e divulgação de uma história curta. Isso me possibilitou a satisfação de ver um trabalho pronto e entregar algo para meus leitores enquanto não termino meu romance, meu gênero principal de escrita. Se envolver em projetos menores pode dar o gás que você precisa para seguir em frente e impulsionar a finalização daquela ideia na qual você já vem trabalhando há algum tempo. Meu romance ainda não está cem por cento pronto, mas estou na parte final e muito feliz por já ter passado por todo esse caminho e não ter desistido no meio. Sinto como se o triunfo estivesse bem ali. Não a glória do best-seller – ninguém sabe se virá -, mas a imensa satisfação de colocar o Fim na minha história. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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O que você pretende como escritor? Uma conversa sobre atitudes

Eu passei sete anos sem publicar nada. Entre Cafés Amargos, meu primeiro romance, e Exposição de Luxo, meu primeiro conto publicado para venda, eu fiquei sete anos sem entrar em nenhum projeto sério de escrita. Em primeiro lugar eu não me via como escritora  – falei sobre isso nesse texto aqui –, eu me via como alguém que gostava de contar histórias e teve sorte no primeiro concurso literário que participou. Essa postura, essa ausência de uma identidade literária própria me fez procrastinar a minha carreira durante muito tempo. Eu tinha pensamentos como “Depois da faculdade eu volto a escrever”, “Depois que eu conseguir um emprego fixo eu posso escrever com mais calma”, “Depois que eu casar e meus filhos estiverem crescidos eu volto a manter uma rotina de escrita”. Sete anos se passaram até aquele barulho soar na minha cabeça como um sino. Esse dia não vai chegar nunca. Esse dia não vai chegar nunca. Esse dia não vai… Blem, blem, blem. No início de 2020 essa era minha situação: formada há dois anos e sem um emprego fixo; com a perspectiva de um trabalho que eu não sabia ainda quando iria se concretizar; frustrada pelo marasmo profissional; com uma vontade enorme de começar um projeto novo. Então pensei: é agora. Agora é a hora de voltar a escrever. Não apenas escrever, mas publicar, botar minha cara no sol, conquistar leitores, dividir o conhecimento, construir uma presença online, tudo como manda o figurino do século XXI. Eu criei esse blog, dei uma repaginada nas minhas redes sociais, comecei a pesquisar fontes, cursos e livros para estudar escrita criativa, montei meu planejamento de leituras e botei a mão na massa. Finalmente decidi que iria ser escritora, iria começar a escrever meu novo romance e trabalhar em algo meu. Percebem a diferença entre esperar o momento perfeito e começar de onde você está? Uma das perguntas que mais rondou a minha cabeça no começo do ano foi: o que eu posso fazer com o que eu tenho hoje? Leia-se: casa, internet, computador, celular e uns duzentos reais na conta (esse dinheiro eu usei para comprar o domínio do blog e pagar a anuidade do servidor). De lá para cá eu me dividi entre esse projeto literário, a escrita do meu livro e uns serviços de freelancer. E eu tentei, ao máximo, não reclamar. Deus sabe o quanto isso é um exercício diário para mim, mas antes de qualquer coisa eu preciso ser grata por ter as ferramentas que tenho. Principalmente depois que a pandemia estourou e o mundo entrou em transe. A ansiedade veio com força total, o medo, o desespero do desconhecido e a incerteza do futuro. Leia também Escritor é profissão? Em outros tempos isso teria me paralisado, mas, por incrível que pareça, ter tomado a decisão de trabalhar nos meus projetos me permitiu seguir em frente e me deu motivos para manter uma rotina produtiva na medida do possível. “A internet ainda está funcionando”, era o que eu pensava. Se você chegou até aqui me deixe esclarecer que esse não é um texto para apontar quem soube lidar melhor ou pior com a pandemia. Quem foi mais produtivo ou quem se deixou levar pelos acontecimentos. Esse texto é pra incentivar você a definir o que você quer para sua vida de escritor. Eu quero que você tenha isso muito bem claro na sua cabeça. O que você pretende como escritor? Qual o seu objetivo? Depois, trace seu plano de ação. O que você pode fazer para chegar lá? O que você pode fazer esse ano? Hoje? Trace metas realizáveis. Olhe ao redor e veja o que você tem. Nem que seja uma caneta e um caderno velho, você pode escrever seu livro ali, vai por mim. Se o seu objetivo é terminar um romance, uma novela, um conto, papel e caneta pode servir. O resto você pensa depois. Apenas comece. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Ideias para livros: onde eu encontro as minhas histórias

Desde criança eu fui alguém que gostava de inventar. Para mim era natural imaginar cenas com famílias, amigos, pessoas na rua ou eu mesma em situações diversas. As imaginações simplesmente vinham na minha cabeça – ainda vêm – e eu me perdia nelas. Basta uma música empolgante, um contexto curioso, um diálogo engraçado, e lá estou eu criando uma cena complementar que só acontece na minha cabeça. E é desse turbilhão de pensamentos que vem muitas ideias incríveis. É de uma barbeiragem no trânsito que eu penso em criar uma distopia sobre metrópoles, é de um gatinho esperto na rua que eu imagino um grupo de felinos organizados para dominar o mundo, ou é de um sorriso de um bebê que eu imagino como seria se uma mãe descobrisse que o seu filho só existe em uma realidade paralela. São conflitos que poderiam ser desenvolvidos, não concordam? O modo que eu encontrei de não perder essas ideias, já que elas aparecem sem avisar, foi anotá-las imediatamente. Em qualquer lugar, de qualquer jeito, um rascunho malfeito que seja, mas eu sempre escrevo a ideia central e deixo lá guardadinha para um momento oportuno. O resultado é uma lista imensa de possíveis enredos que podem ou não serem aproveitados daqui para frente. Alguns, passado a explosão do momento, se transformaram em ideias ruins, enquanto outros têm muito potencial. Eles fazem parte do meu compartimento criativo, um lugar especial onde eu sempre passeio para me lembrar de que ainda tenho muita história para contar nessa vida. Mas como criar a sua própria caixinha de ideias? Aquele lugar mágico onde você irá meter a mão, dar uma sacudida e tirar sua próxima grande história? Meu conselho é: alimente-se de inspiração e pratique sua criatividade. Sobre a inspiração, não necessariamente dependa dela para escrever, como eu falo aqui nesse artigo, mas incorpore no seu cotidiano tudo aquilo que pode ajudá-lo a ter boas ideias. Veja filmes, ouça músicas, leia bastante (nem preciso dizer, né?), passeie ao ar livre, converse com pessoas diferentes e as observe também. Como elas se comportam, o que estão fazendo, como falam, agem, o que elas querem da vida, o que elas não querem de jeito nenhum, como elas aproveitam o dia, em que elas trabalham, os nomes dos seus filhos, as suas histórias de família, tudo isso pode virar um arsenal impressionante para a sua mente criar um enredo próprio. Muitas vezes tudo o que você precisará fazer é prestar atenção. E como praticar a criatividade? Além do exercício diário da escrita, muito importante, você pode explorar o seu lado criativo com outras atividades como pintar, desenhar, fazer artesanato, costurar, elaborar uma receita nova, imaginar formas nas nuvens, dar um nome imaginário e muito mais legal para o cachorro da vizinha, e tantas outras coisas simples que não precisam ser feitas de maneiras perfeitas. Elas só precisam ter um espacinho no seu dia para, quem sabe, acender aquela luz na sua cabeça. Como você encontra ideias para suas histórias? Tem alguma fórmula ou ritual que sempre funciona? Compartilha com a gente aqui nos comentários <3 Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mail e não perca nenhuma novidade * indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Vale a pena escrever?

As últimas notícias sobre o novo imposto sobre o livro me deixaram muito pra baixo. Imposto, tributo, taxa, não sei o nome correto, e também acho que, em termos gerais, isso é o de menos. Fiquei chateada, revoltada, desanimada, tudo que uma leitora pode ficar ao saber que seus preciosos livros podem ficar cada dia mais caros e inacessíveis. Mas esse não é exatamente um artigo para discutir as nuances políticas, econômicas e culturais desse assunto, mas para aproveitar esse gancho e falar como eu tenho me sentido como escritora nos últimos tempos. Eu sempre fui ciente de que viver da escrita no Brasil é um ofício complicado. Já devo ter falado por aqui, ou no Instagram, que não é uma profissão impossível. Numa abordagem ampla o escritor tem muitas possibilidades, e a depender da sua formação (Letras, Jornalismo, Produção Editorial) essas opções se expandem ainda mais. Mas quando você pretende apenas escrever livros, histórias, romances, contos, etc, e não tem a intenção de complementar a renda dando cursos, palestras ou abrindo uma empresa própria, parece que o mercado murcha e você murcha junto. Trabalho para que meus livros sejam bons o bastante para meu público querer comprar e ler, mas ando desanimada com esse ofício. E isso pode acontecer, não é? A gente não pode ter umas crises de vez em quando? Se esse quadro se chama Bastidores é justamente para eu contar o que acontece por trás das fotos do Instagram. Conheça meus livros Hoje em dia eu escrevo, planejo meu romance, tenho ideias para projetos novos, mas mantenho os pés no chão. Tento ser otimista e pensar: vamos lá, Sabryna, é isso que você gosta de fazer, dê o seu melhor. E dou um afago nas minhas próprias costas e penso naquele coach safado que faz a vida toda parecer mais fácil. Esse post é pra dizer que não é, não tem sido, pelo menos para mim. Escrever é meu oxigênio puro no meio da fumaça da vida real, onde você precisa sair disputando vagas aos dentes com outras pessoas que, como você, tem andado por aí com olheiras de tanto dormir mal porque têm se ocupado em serem bons profissionais. É engraçado ver como esse texto tem um tom diferente deste aqui que escrevi no início do ano. Eu ainda acredito muito nele e gosto de pensar que meses atrás estava pura empolgação, mas eu preciso ser honesta e dizer que minha fase atual é de desaceleração. Continuo aqui, produzindo conteúdo e tentando levar para frente meus projetos, mas também não posso esquecer de outros itens importantes. Escrevo durante a noite porque durante o dia preciso prestar serviços a alguém que já tem bastante dinheiro, mas mesmo assim quer ganhar um pouco mais (não que seja proibido). Escrevo durante a noite porque durante o dia preciso estudar outros assuntos totalmente distantes da escrita criativa e ter uma renda razoável no fim do mês. Para poder dizer a minha mãe que ela não precisa parcelar a compra dos seus óculos de grau novos porque tenho condições de comprar de uma só vez. Escrevo no fim do dia, já com as costas doendo, a coluna latejando, os olhos secos pela exposição exagerada ao computador porque no começo do dia eu preciso pensar: que curso gratuito eu posso fazer na internet hoje para melhorar meu currículo? A gente sabe que não dá pra viver de royalties no Brasil, então a gente tem que se virar. A gente tem que se virar para pagar as contas, ajudar a família, comer, se vestir, dar uma gorjeta legal pro moço do iFood, comprar os livros que a gente tanto gosta e estão cada dia mais caros. Eu amo o Brasil, mas não é um lugar fácil de se escrever.

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Escrever enquanto escreve

Eu sigo alguns perfis de escritores estrangeiros no Instagram e nas fotos eles sempre estão com um caderno cheio de anotações ao lado do computador. Meu inglês é sofrível demais para perguntar nos comentários o que eles escrevem, mas com o tempo fui deduzindo que são anotações sobre o que eles estão fazendo na telinha. Um deles inclusive escreve cenas inteiras no papel e tira um dia na semana exclusivamente para copiá-las em documentos digitais (o Google tradutor me ajudou a entender). Isso despertou minha atenção porque era algo que eu nunca tinha feito embora às vezes realmente sentisse falta de um espaço analógico para rabiscar. O planejamento do meu romance atual foi feito integralmente no Word e eu o consulto muito pouco – não tenho considerado isso uma coisa boa -, o que tem deixado minha história diferente do plano. Esse não é exatamente o problema, porque, sim, o enredo pode mudar e a gente vive tendo novas ideias, mas no meu caso eu deixei de escrever muita coisa boa porque não lembrava que tinha pensado sobre elas lá atrás. Se eu tivesse feito o planejamento em papel e ele estivesse sempre abertinho do meu lado a situação seria diferente? Com essa pergunta na cabeça eu passei a deixar um caderno perto do notebook e nele anoto um pequeno resumo sobre as próximas cenas. Pequeno mesmo, uma frase. Por exemplo: “Carmem e Mário no café”, “Carmem e Daniel em casa”, “Daniel e Vera no jantar”. Esses curtos lembretes têm me ajudado a lembrar o que estou planejando para o andamento da história, e não é incomum eles serem riscados e trocados por eventos novos. A cena de Mário e Carmem no café pode mudar para a praça e a cena de Daniel e Vera pode nem mais existir. Também li que é interesse fazer esse mesmo resumo de capítulos que já foram escritos, uma técnica usada por roteiristas de séries, pois ajuda o escritor a não perder o fio da meada. Eu não sei como até hoje fui uma escritora que não escrevia enquanto escrevia. Não que seja uma regra, mas a ferramenta do papel enquanto a história toma forma tem sido minha principal assistente. E eu, doida por papelaria, arrumei uma desculpa para comprar um caderno novo. Conheça meus livros Faça parte da minha lista de e-mail e não perca nenhum conteúdo * indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Como eu organizo minha rotina?

Organização pessoal está na moda e eu preciso dizer que isso é uma coisa boa. Não necessariamente a parte dos planners caros (mas eu queria um, não vou mentir, vou?) ou da pressão da produtividade, mas pela desconstrução do pensamento de que não é possível se organizar com eficiência quando se tem uma lista de tarefas a cumprir. Eu sempre gostei de manter meus afazeres organizados porque isso faz a minha rotina funcionar. Preciso saber com antecedência minhas demandas para então distribuí-las em horários ao longo do dia. Isso é o que me faz produtiva e deixa as coisas em ordem. O gosto pela organização me fez experimentar diversas ferramentas até eu encontrar uma, ou umas, que desse certo para mim. Planners, Agendas, Aplicativos? Sim, eu já testei de tudo. Na escola costumava ter uma agenda anual, mas ela servia para anotar trechos de músicas e de livros. Passei muito tempo comprando agenda com essa finalidade, até que passei a usá-las para anotar os compromissos. Não deu muito certo por um motivo ridículo de tão bobo: eu esquecia de consultar a agenda para conferir as pendências. Assim que surgiu o boom dos planners eu procurei o mais acessível e planejei toda a minha vida neles. Aconteceu o mesmo com as agendas. Folhas e mais folhas em branco no fim do ano. Meu primeiro bullet journal foi um fracasso. Em primeiro lugar eu não sabia enfeitar como os das blogueiras e em segundo lugar eu não entendia muito bem o sistema e ainda caía na mesma de sempre: esquecer de levá-lo comigo ou de andar com o olho na vida e outro na lista de afazeres. Até que eu pensei na única solução para o meu esquecimento: um aplicativo que me notificasse as tarefas. Usei vários. O último a ser instalado no meu celular foi o Todoist, com seu sistema clean, dividido por projetos, cores e tudo mais. Usei algum tempo até me incomodar com a impossibilidade de ver uma tela com tudo que tinha para fazer na semana. Eu sou meio insatisfeita, eu sei. Então, por que não combinar aplicativo, manuscritos e calendários? É como eu trabalho hoje. Evernote Só aquele elefantinho sabe como minha relação com o Evernote demorou a engatar, e ainda hoje nós somos amigos, mas não íntimos. Sou apaixonada pelos templates, mas totalmente aborrecida com a tela inicial, confusa para mim. Sem ter mais muito tempo para me queixar, uso o template de organização anual para montar meu planejamento do mês. Com ele consigo ter uma visão ampla de tudo que tenho para fazer, seja no trabalho, na escrita ou no site. Uso o plano gratuito. OneNote OneNote seria perfeito se não fosse tão pesado. Por isso ele fica quietinho no computador, onde guardo notas mais longas, ideias de posts e links. Essa divisão por pastas era tudo o que eu queria no aplicativo do item anterior. Conheça meus livros Google Keep Esse amarelinho é o que tem de mais prático no celular. Sincroniza rápido, salva as notas sozinhos e pode ser acessado de qualquer lugar. Nele digito os textos de legendas, faço to do list e deixo à mão anotações que preciso acessar rapidamente. Bullet Journal Não é como o original, é adaptado. Com ele posso fazer um planejamento semanal – copiado do planejamento mensal, feito no Evernote – e anotar minhas tarefas diárias. Tem funcionado e estou muito satisfeita com isso. Google Agenda Eu sei que tem todo o potencial para um Evernote mais simples, mas por enquanto eu utilizo apenas para lembretes onde precisarei de um alarme para me lembrar. Ele não é insistente, mas é firme. E eu adoro isso. Hoje é assim que eu me organizo com relação aos trabalhos e aos estudos, e fico feliz que existem tantas ferramentas disponíveis para a gente não se perder no dia a dia. Se vai ser assim para sempre não dá para saber, mas depois de tanto testar, finalmente tenho um sistema para chamar de meu.    

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A problemática dos romances eróticos

Eu li a trilogia 50 Tons de Cinza na época do estouro, e vi todos os filmes também. Gostei. Observei a discussão sobre a romantização de relacionamentos abusivos e me dei conta de alguns pontos que não tinha me atentado antes. Mas não é exatamente sobre esse livro tão famoso que eu vim falar hoje, e nem sobre os que vieram depois dele com sucesso parecido, como Toda Sua, da Silvya Day, leitura que não ainda não está marcada na minha listinha. O que quero discutir é sobre a influência que eu vi esses livros exercerem na literatura independente. Claro que não foi E. L. James que inaugurou o gênero hot, mas eu acredito que seu livro funcionou para popularizar a figura da mocinha ingênua com o cara experiente que é apaixonante de uma maneira sexy demais para resistir. Digo isso porque percebi o quanto esse tema e enredo são explorados de maneira exaustiva nos romances eróticos. E nem sempre de maneira responsável. Trabalhar com narrativas eróticas mexe com o imaginário do leitor mais do que romances tradicionais, eu diria. Romances nível Nicholas Sparks deixam as meninas esperando um príncipe encantado, romances hot deixam as meninas acreditarem que eles podem fazer o que quiserem com elas. E é aqui que entra a problemática. Eu já me deparei com histórias envolvendo relacionamentos de adultos com menores de idades, relacionamentos violentos além do limite erótico e relacionamentos incestuosos, uma lista que para mim parece mais com categorias de sites pornôs pesados do que com literatura. E com isso eu não quero dizer que não há espaço para o hot na ficção, mas sim refletindo de que maneira esses livros estão sendo construídos e a quem estão sendo entregues. Você pode argumentar que livros violentos tem aos montes, inclusive contra a mulher, como no livro No Escuro, lido recentemente por mim. Sim, nessa história há agressão, abuso e estupro, mas em nenhuma página a autora coloca como normal. Ela partiu dessa premissa e inseriu dentro de um contexto para explanar sua crítica e conscientizar leitoras e leitores sobre relações criminosas. Isso não faz parte de uma fantasia. No instante em que o escritor escreve romanticamente sobre uma adolescente conquistada por um adulto, ou quando ele normaliza relações entre tio e sobrinha, pai e filha, por exemplo – sim eu já vi por aí –, para nutrir certos tipos de imaginação, na verdade ele está alimentando uma indústria tanto literária como pornográfica que não traz nada de evolutivo nem para leitores adultos e muito menos para o público jovem que consequentemente pode chegar nesses livros. Ainda assim, alguém pode argumentar que essas leituras não são obrigatórias, e que a liberdade criativa/ficcional de um autor deve ser mantida, mas nada disso exime o escritor da responsabilidade da sua obra no momento em que ela é lida por alguém. Qual o efeito que essa narrativa tem sobre o leitor? O que ela desencadeia? Que portas ela abre? Principalmente no mercado independente, onde os textos geralmente não passam por nenhum tipo de revisão, edição ou filtro. Saem dos rascunhos diretamente para o Wattpad ou para a Amazon, e são divulgados em qualquer lugar, para qualquer público, muitas vezes sem nenhum tipo de pré-aviso do que se trata. O gênero erótico tem aumentado seu público, e minha crítica aqui não é ao macro, mas à falta de limite ao que deveria servir de base para uma narrativa. Um coração partido pode ser ponto de partida para uma história triste com a qual muitos leitores vão se identificar, mas um abuso tratado como fantasia erótica pode fazer com o que uma vítima ache que nada de errado está acontecendo ou aconteceu com ela. Escritor, sua obra é livre, mas precisa ser instrumento de crescimento para os leitores em alguma medida, mesmo que tenha sido criada para fins de entretenimento. Toda leitura surte um resultado, tenha isso em mente. E para mim, moralidade é um conceito subjetivo, mas algumas coisas são, ou pelo menos deveriam ser, unânimes.

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