O protagonista desse livro é o retrato do brasileiro mediano. Em algum grau, o leitor se identificará, ou identificará um próximo, com o comportamento, a angústia, de Luís da Silva. Luís esse que foi filho de Camilo Pereira da Silva e neto de Trajano Pereira de Aquino Cavalcante e Silva. Os nomes foram diminuindo proporcionalmente à fortuna. O patriarca foi um fazendeiro de posses e escravos, para o neto restou o da Silva — só mais um no Brasil. Do avô, ele herdou a arrogância aristocrática, que não passa de um arroto malcheiroso já que perambulou pelas ruas até conseguir um emprego público onde ganha o suficiente apenas para pagar…
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[Resenha] Diálogos sobre a fé – Martin Scorsese e Antonio Spadaro
Sou uma pessoa de poucos hobbies e um deles é assistir a filmes. Religiosamente, aos fins de semana, sem me importar com o nome do diretor (desde que o título esteja bem avaliado no IMDb), ou com o enredo (desde que não seja de terror), ou com o elenco (desde que não tenha o Pedro Pascal, porque estou saturada de vê-lo fazer filmes no atacado), abro um serviço de streaming e me entretenho. Não me considero cinéfila (nada contra, tenho até amigos que são!), sou apenas uma telespectadora que tem na lista dos favoritos filmes considerados medianos pelos especialistas. Se você quiser acompanhar minhas singelas opiniões, este é o meu…
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[Resenha] A Guerra dos Mundos – H. G. Wells
Para mim, existe uma ordem de natureza literária que merece ser respeitada: primeiro o livro, depois o filme. Ao inverter, o resultado tende a ser frustrante, principalmente se você julga o filme muito bom. Já tive experiências assim com Um amor para recordar, baseado no livro do Nicholas Sparks, O Leitor, adaptação da obra de Bernard Schlink, e agora com A Guerra dos Mundos, protagonizado nos cinemas pelo lendário Tom Cruise (também gostei muito do filme Um lugar bem longe daqui, e temo não apreciar tanto o livro da autora Delia Owens). Não precisamos entrar na discussão enfadonha de que filmes são produtos diferentes, e que, portanto, não devem fidelidade…
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[Resenha] Livros demais! – Gabriel Zaid
Ler um livro de análise crítica publicado em 2002 é como encontrar um jornal velho, com a diferença de que, no jornal, as notícias de fato envelhecem, e livros como o de Gabriel Zaid tornam-se textos de referência. O que estava acontecendo em 2002? O 11 de setembro havia acabado de acontecer e mudado para sempre a segurança internacional, o Brasil ganhava o pentacampeonato, e a Amazon estava explodindo no comércio editorial. Em uma série de artigos, Zaid analisa a produção massiva de livros, a relação entre oferta e demanda, entre cultura e comércio, o comportamentos de leitores, e lança luz sobre uma questão que ainda hoje é pertinente: o…
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[Resenha] A Máquina do Tempo – H. G. Wells
No século XIX, um cientista entra em uma máquina construída por ele mesmo e se transporta mais de 800 mil anos para o futuro. Lá, encontra uma realidade bastante diferente da que conhecia e, aparentemente, perfeita. Ao longo dos dias, o Viajante do Tempo descobre que tanta harmonia teve um custo. No início do livro, o leitor observa uma reunião que acontece sempre às quinta-feira na casa de um cientista muito curioso e empenhado em criar engenhocas. Seus amigos são um jornalista, um psicólogo, um editor, e outros sujeitos identificados apenas pelas suas ocupações profissionais. Em suma, indivíduos de uma elite letrada que conversa sobre uma série de assuntos enquanto…
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[Resenha] Todos os caminhos levam a Roma – Scott e Kimberly Hahn
Desde a minha conversão, há cerca de cinco anos, eu ouvia falar do livro Todos os caminhos levam a Roma. É um título potente, objetivo, que sugere um conteúdo transformador. Contudo, pouco curiosa que sou, nunca me interessei em ler a sinopse, mas o mantive na minha lista de desejos por um bom tempo, até encontrar um exemplar em um sebo de feira do livro. Eu não sabia que essa edição narrava a conversão do casal Scott e Kimberly Hahn, nascidos e criados – como se diz aqui na minha terra – em famílias protestantes e convertidos ao catolicismo já adultos, casados, e pais de três filhos. No livro, ora…
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[Resenha] Filha – Manoela Sawitzki
Existe uma legião de filhos e filhas de pais desfuncionais que compartilha experiências e sentimentos semelhantes da própria história. Manoela Sawitzki divide com o leitor parte de suas memórias nesse relato quase autobiográfico e de título puramente sugestivo: Filha. A narrativa se desconstrói em volta da relação de uma filha caçula com seu pai, um sujeito autoritário, alcóolatra, violento, mas ainda seu pai. A voz do texto volta aos 11 anos de idade e, fase a fase, vai contando como era conviver com o inimigo sangue do seu sangue. Num contexto de anos 80-90, tudo era ainda mais complexo, uma vez que as relações domésticas se entrelaçavam às circunstâncias da…
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[Resenha] Robinson Crusoé – Daniel Defoe
O primeiro requisito para apreciar a leitura de Robinson Crusoé é ter inclinação para gostar de diários. O segundo é não se aborrecer com descrições minuciosas. Como eu não tenho nem um dos dois, não foi um livro de que gostei muito. Contudo, ainda foi uma leitura proveitosa. A narrativa não é dividida em capítulos. São apenas duas partes, onde a primeira conta o início da vida do protagonista como marinheiro, e a segunda narra como ele sobreviveu sozinho em uma ilha remota. Tudo pelo viés do próprio Crusoé, que expõe também suas reflexões pessoais nos momentos de triunfo e de fracasso. O primeiro sentimento escancarado é o de arrependimento.…
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Resenha A vida impossível – Matt Haig
Sinopse Grace Winters é uma professora aposentada de matemática que levava uma vida desinteressante aos 70 anos. Viúva, ela convivia com o luto da perda do marido e com a culpa pela morte do filho em um acidente de trânsito aos 11 anos de idade. Certo dia, Grace recebe um e-mail de um ex-aluno compartilhando episódios de sua vida pessoal que o deixaram num estado de desânimo profundo. Em resposta, Grace começa contar a própria história, narrando como um evento extraordinário mudou radicalmente a sua vida. Resenha Para quem bem se lembra, Matt Haig é autor do sucesso de vendas A Biblioteca da Meia-Noite, livro que li mais ou menos…
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[Resenha] Dom Quixote – Miguel de Cervantes
Sinopse Alonso Quixano, inspirado pelos romances de cavalaria, decide sair pelo mundo em busca de aventuras. Sob a alcunha de Dom Quixote, e ao lado de seu fiel escudeiro Sancho Pança, ele desfaz injustiças, salva donzelas e combate o mal. Resenha Antes de ler Dom Quixote, eu havia ouvido muitos comentários sobre ser um livro arrastado, chato, difícil de concluir – e, por isso, com frequência abandonado; e devo dizer que eu mesma passei pela tentação de deixar a leitura, não fosse a minha regra pessoal de nunca abandonar livros. Porque sim, eu também achei arrastado, chato e penoso de concluir. Isso parte, contudo, da ausência de uma inclinação pessoal…

























