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Como aperfeiçoar o seu estilo de escrita

Você saberia reconhecer um texto não assinado do seu autor favorito? Saberia ver um poema, um romance ou um conto e identificar particularidades de quem o escreveu? É incrível quando um escritor consegue chegar em um nível de lapidação da sua escrita que o leitor dificilmente o confundirá com outro. Mas como conseguir isso? Não podemos ter certeza sobre o que cada autor fez para chegar lá, mas podemos praticar algumas ações e aperfeiçoar nosso estilo de escrita a cada dia. Confira algumas delas: Conheça o Caderno de Exercícios – Cenas Estilo de escrita é repertório e experiência Você não pode fazer uma salada de frutas muito bonita com apenas uma fruta só, assim como você dificilmente terá uma escrita sólida sem leitura e, mais do que isso, sem leituras diversificadas. Tendemos a copiar, ainda que de modo inconsciente, as estruturas textuais com as quais entramos em contato. Se lemos muita coisa de um estilo só nos acostumamos com aquele vocabulário e aquela forma de escrever. Eu sugiro que você tenha uma rotina de leitura variada, sem ignorar, principalmente, os clássicos literários. A partir daí, mantenha a prática de escrita em dia, ainda que você não esteja trabalhando em nenhum livro no momento. Escreva contos, crônicas, poemas, textos avulsos ou até mesmo mantenha um diário. O importante é colocar o seu repertório para fora. Como aperfeiçoar nossa voz de escritor? A voz do escritor é a maneira como ele expressa sua percepção sobre o mundo. Se temos o imaginário limitado – ou seja, se nosso repertório é pequeno – essa percepção tende a ser também limitada. Vemos o mundo como todo mundo vê, sem maiores reflexões e tendendo ao senso comum. Isso se reflete na escrita. Amplie seu escopo de referências. Quem aqui nunca leu livros que são mais do mesmo? Leia também O que eu aprendi lendo O Zen e A Arte da Escrita Você pode contar uma história exatamente igual a tantas outras, mas se a sua base, a sua voz e o seu imaginário forem expandidos, suas histórias também serão. Seu estilo pode estar fora da zona de conforto Eu sempre tive bastante dificuldade em escrever contos. São tipos de textos que pedem mais objetividade e sucintez, enquanto eu era habituada a desenvolver demais as minhas narrativas. Quando decidi arriscar um ou outro conto vi que isso me ajudou a ser mais direta nos romances; eu não perdia mais tempo contando o que não era necessário. Sair da zona de conforto e enveredar por outros tipos de texto ajuda a ter uma visão externa do seu próprio estilo. Você passa a pensar e criar de maneira diferente porque precisa se adaptar, e quando volta a escrever o que está acostumado percebe uma escrita menos automática. Faça isso de vez em quando. Conheça meus livros Boa escrita é também dedicação Eu costumo pensar que escrever é organizar da melhor maneira possível as palavras que já existem por aí. Se você abrir um dicionário está tudo lá, você não precisa inventar mais nada, apenas se dedicar para colocá-las em uma ordem que faça sentido e ofereça beleza para o autor. Observe escritores como Murakami, um autor cujos livros têm um vocabulário comum, sem muitos enfeites, mas que está disposto de uma maneira que faz a leitura fluir como água em um riacho de interior. Essa habilidade é fruto de um talento alinhado à prática. Você consegue montar melhores estruturas de texto lendo mais e ampliando as bases de onde vêm as suas ideias. Ao escrever e revisar preste atenção em cada palavra e no que ela quer dizer naquele lugar onde você a colocou. Encare o texto como uma possibilidade de combinações que podem dar mais ou menos certo conforme você se dispõe a mudar os elementos de lugar. Estude gramática, vocabulário e literatura, e jamais se acomode. Sempre é possível escrever um texto melhor que o outro. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Como encontrar leitores para o seu livro

Após o árduo processo de escrever, revisar e publicar um livro, vem talvez a parte mais difícil: encontrar leitores. A má notícia é que eles podem não vir e você se frustrar, a boa é que essa etapa não é a última a ser cumprida, na verdade ela é uma das primeiras e uma vez que você começa a executá-la não pode parar. Você deve estar sempre em busca dos seus leitores, esteja escrevendo ou não. Mas é bom que esteja. Como encontrar leitores para o seu livro: Nem todo mundo quer lê-lo E isso é bom! Pense comigo. Cada leitor tem uma ou mais preferências de leitura. Há aqueles que leem de tudo um pouco, mas não o mais comum, então imagine ter que agradar a todos com a sua história? Pense em como seria difícil mesclar em uma mesma narrativa romance, suspense, comédia, drama… é muita coisa, não? Concentre seu livro em torno de um gênero e preocupe-se em deixá-lo bom ali mesmo. Conheça o Caderno de Exercícios – Cenas Seja próxima dos seus possíveis leitores Não tem para onde correr, no mundo moderno ninguém sai vendendo livro de porta em porta. Em vez disso, você usa um perfil no Instagram para se comunicar com as pessoas e isso é uma mão na roda, vamos combinar. No seu perfil vá alimentando um relacionamento com seus seguidores, ainda que a maior parte deles seja de amigos ou familiares. Fale um pouco sobre você, sua rotina, o que você está escrevendo, porque pensou naquela história, quais são suas dificuldades e inspirações. Deixe que as pessoas conheçam você pois isso gera confiança e reconhecimento. Ninguém se interessa muito pelo livro de um desconhecido. Leia também Como escrever boas cenas Conheça bem o seu livro antes de colocá-lo em jogo Vamos por partes nesse ponto.  Quem gostaria de ler o seu livro? Seja específico. Exemplo: Se eu escrevo um romance adolescente, bem mamão com açúcar, quem tem mais chance de ler? Sr. Arnaldo, que assiste futebol aos domingos e lê jornal impresso ou a Dandara, no segundo ano do ensino médio ouvindo k-pop nos fones de ouvido? Uma vez que você sabe quem pode se interessar pela sua história, você sabe para quem vender. Qual o gênero e o tema?  Por tema nós podemos entender como uma questão em torno da qual a história gira. Quais são os outros livros e autores inseridos na mesma faixa que a sua? Veja, podemos perceber que Crepúsculo e Harry Potter são histórias que envolvem personagens fantásticos e cujo público majoritário são crianças e adolescentes. Da mesma forma que é natural ver Jane Austen e Charlotte Brontë como autoras próximas em termos de público e gênero porque ambas escrevem sobre famílias, relacionamentos e conflitos de classe na Inglaterra. Por que isso importa? Para você saber como se comportar diante da concorrência. Imagine o seu livro em uma livraria disputando a atenção do leitor. Como você vai se destacar? Pelo título? Sinopse? Capa? Pela sua “fama” online? Como os outros autores estão vendendo? O que os escritores de sucesso fazem? Lembre-se que os leitores do segmento que você escreve já estão definidos e procuram por livros semelhantes. Quem gosta de histórias fantásticas está sempre em busca de histórias fantásticas. Por isso observe e imite as melhores práticas que mais servem para você. Conheça meus livros Encontrando os leitores Agora que você já sabe onde procurar e como se aproximar dos seus leitores é hora de estabelecer de vez uma conexão firme e duradoura. Essa é a hora em que você estende a mão e pede licença para mostrar a que veio. Esteja onde os seus leitores estão. Se eles gostam mais do Twitter, vá para lá, se gostam mais dos bons e tradicionais blogs, capriche no seu. Se os grupos do Facebook estão em alta, crie um atrativo o bastante. Não é necessário estar em um só lugar, mas esteja em peso naquele onde seus leitores podem ser encontrados em maior número. Uma outra boa estratégia é fazer parcerias com outros blogs, perfis, podcasts ou canais do Youtube que você já notou que são acompanhados pelo seu público leitor. Exemplo: se o seu livro é um romance, que tal uma parceria com algum canal que trate sobre relacionamentos? Pessoas que querem viver um grande amor certamente se interessam por esse tipo de narrativa. Como eu disse no início do artigo, encontrar leitores é uma atividade a ser desenvolvida ao longo de toda a sua carreira de escritor. Assim como você tem um pé atrás para ler livros de autores desconhecidos, seus possíveis leitores também têm. Por que você acha que livros de celebridades vendem tanto? Porque eles estão sempre aparecendo e criando conexão com o público. Você pode não ter a menor ideia do talento literário do seu artista favorito, mas se ele lançar uma autobiografia você certamente vai se sentir atraído a ler. Então, prontos para levarem seus livros a todos os leitores? Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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5 ideias de personagens para o seu livro

Alguns escritores quando recebem uma ideia do universo já a recebem prontinhas, com enredo, personagens e final decidido, só no ponto de colocar no papel. Outros têm aquele estalo no seu formato bruto e com o tempo vão lapidando. E há ainda aqueles que, em qualquer tempo ou circunstâncias, esbarram em uma boa ideia que precisa de um ou mais personagens para ficar pronta. É o seu caso? Aqui estão 5 ideias de personagens para o seu livro. Homem, 30 anos, mora sozinho, não gosta de animais e nem é muito simpático. Trabalha como motorista do caminhão de lixo da cidade e odeia seu emprego. Tem uma namorada que não é muito bonita, mas é uma boa companhia. Ele a conheceu em um bar de periferia que costuma ir aos fins de semana. Recebe uma ligação da mãe pelo menos a cada dez dias, sempre pedindo que ele volte a falar com o irmão, com quem rompeu relação há cerca de cinco anos. Seu sonho é ter a sorte de enriquecer de repente. Sugestão de nomes: Mário, César, Alfredo, Constantino, Paulo. Conheça o Caderno de Exercícios – Cenas Mulher, 28 anos, filha adotiva de pais amorosos, solteira, insatisfeita com o cargo de supervisora de segurança em um prédio comercial. Anseia por uma promoção há tempos, mas seu trabalho não parece ser valorizado. Terminou um noivado recente após descobrir uma traição e engordou vinte quilos depois disso. Tem uma irmã cujo marido é amoroso e dono de uma rede de supermercados. Os dois esperam um bebê. Sugestões de nomes: Cassandra, Amélia, Bárbara, Cíntia, Patrícia. Leia também Como escrever boas cenas Mulher, 16 anos, pai envolvido com o tráfico de drogas e mãe falecida há alguns anos. Cuida do irmão caçula enquanto divide o tempo com os afazeres da escola. Sonha em trabalhar em navios, mas quando surge uma oportunidade na prostituição sua vida toma outros rumos. Sugestões de nomes: Bianca, Iara, Lívia, Dália, Viviane.  Mulher, 55 anos. Casada há 30 anos, leva uma vida comum ao lado do marido. Na juventude fazia aulas de canto porque queria ser cantora de ópera, mas a vida a levou por outros caminhos. Guarda lembranças dessa época e coleciona discos de artistas que sempre admirou. Sente que o tempo está passando enquanto ela vive de nostalgia. Sugestões de nomes: Ágata, Marisa, Elizabeth, Esmeralda, Georgia. Baixe gratuitamente O Guia Prático para Criação de Personagens Homem, 40 anos. Chefe de polícia de uma cidade do interior, está acostumado a lidar com pequenos casos sem gravidade. Divorciado após a esposa descobrir um filho fora do casamento, ele tenta reatar a relação enquanto vive em um quarto e sala com a única companhia do seu velho cachorro. Sugestões de nomes: Humberto, Silas, Ronaldo, Jerônimo, Aldir. Percebam que cada personagem carrega uma ideia de desenvolvimento de sua própria história. Caso você esteja em busca de inspiração, sinta-se à vontade para escrever a partir das 5 ideias de personagens para o seu livro. Mas se o que você precisa é de uma figura para encaixar em um enredo já pronto, você pode adaptar as sugestões conforme a sua narrativa. Aproveite e boa escrita! Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Como fazer marcações durante a leitura

O processo de fazer uma leitura ativa – ou seja, uma leitura onde você não só entende o que está escrito como interage com o texto – é de extrema importância para aperfeiçoar o aprendizado e contribuir com a memorização. Nesse artigo estão algumas ideias de como fazer marcações durante a leitura e você pode aplicar em estudos acadêmicos, estudos livres e livros literários. Materiais Eu recomendo recursos analógicos, mas se você é cem por cento da galera do digital pode usar aplicativos de anotações como Evernote, Notion, Google Keep ou o velho e bom Word, desde que você mantenha um nível de organização em qualquer um deles. No caso de usar métodos ancestrais (como eu costumo fazer) tenha em mãos cadernos, canetas, lápis, marca-textos, post-its ou marcadores de páginas. Nossa, tudo isso? Aí vai do gosto do freguês. Um simples lápis pode resolver tudo, mas também é possível combinar esses materiais usando critérios que irei explicar mais adiante. Também vai da sua escolha anotar no próprio livro ou em um caderno à parte. Contexto Na faculdade, no meu primeiro dia de aula, uma professora introduziu o assunto da disciplina e deu o seguinte conselho: “Antes de ler qualquer coisa, observem em que ano aquilo foi escrito. Vai fazer toda a diferença na sua leitura e interpretação”. É claro que ela estava se referindo aos mil e um textos que leríamos dali em diante (sou formada em Jornalismo), mas eu nunca esqueci dessa orientação porque ela serve para absolutamente qualquer leitura e faz todo o sentido. Por isso, antes de começar olhe a ficha catalográfica e veja a data da primeira edição. Seja livros acadêmicos, de não ficção ou literários, contextualize o texto e tenha um olhar adequado e coerente à intenção e contexto do autor. Leia também Como adquirir o hábito da leitura Se o seu livro literário foi escrito em uma época anterior à do autor (no caso dele escrever algo histórico, por exemplo), pesquise um pouco sobre esse ano/século. Se estiver fazendo suas anotações no próprio livro, circule, se for no caderno ou bloco de notas, faça um cabeçalho com título, autor e data de publicação. Destaques A maneira de destacar é livre, mas é importante que tenha um critério. Vamos supor que você irá usar alguns dos materiais que eu citei acima e fará suas marcações no livro. Sugestão: Marca-texto: você já ouviu falar em color code (ou código de cores)? Nada mais é do que atribuir um significado para cada cor e usá-lo nas suas marcações. Por exemplo: amarelo = opinião do autor, azul = citações de outros, vermelho = partes com as quais você discorda. No caso de usar color code em livros literários, o sistema pode funcionar mais ou menos assim: amarelo = trechos sobre o protagonista, verde = fala do antagonista, cor-de-rosa = pistas do crime. Quem determina os critérios é você, de acordo com o que você quer assimilar ou memorizar do livro. O objetivo é manter as marcações dentro de uma certa organização, onde, em um momento posterior de revisão, releitura ou consulta, você saiba exatamente o que significa cada trecho marcado. Lápis e caneta: sublinhado citações, tracejado para trechos chaves, asteriscos para palavras que você não sabe o significado. Você também pode usar colchetes, parênteses, círculos, setas e comentários nas margens. A caneta também pode ser usada com o critério color code. Conheça meus livros Post-it: se você não quer anotar nada no livro, mas também não quer andar com um caderno pendurado embaixo do braço, pode fazer as observações colando post-its nos cantos das páginas ou no fim dos capítulos. Post-its coloridos também servem para color code. Ah! Os marcadores de páginas são para você sinalizar as páginas onde fez anotações e ou marcações. No caderno ou bloco de anotações “Marcar livros para mim é um crime”. Ok, não vamos entrar nessa polêmica. Ter um caderno/diário de leituras é supimpa demais até para quem não se importa em riscar livros. Ali fica um registro do que você leu e aprendeu organizado em um só lugar, servindo como um material de ouro para consultas posteriores (e se você gosta de enfeitar, fica ainda mais lindo <3). Tá, mas o que escrever? Depende do seu objetivo, mas, no geral, não há necessidade de fazer um fichamento e copiar tintin por tintin os trechos dos livros. Anote ideias, conceitos, palavras-chaves e do lado ponha a referência da página. No caso de leituras literárias, registre o nome dos personagens importantes e o papel deles na narrativa. Se for um livro longo ou mais difícil de entender, faça linhas do tempo, estruture a jornada e anote também suas dúvidas, perguntas e observações pessoais. O que mais está chamando sua atenção? O que você achou de determinação ação? Qual o seu palpite sobre o assassino e por quê? Que pistas você identificou? O que você faria no lugar de personagem x ou y? Essas perguntas ajudam na interpretação e absorção da história. E se eu estiver lendo em ebook? Aqui temos facilidades e dificuldades. No Kindle, por exemplo, é possível selecionar palavras e ver o significado instantaneamente. Isso é fantástico. Assim como grifar textos e anexar anotações. Porém, pessoalmente, eu acho o sistema do Kindle um pouco lento para esse tipo de atividade, mas em um tablet ou celular pode funcionar melhor. Assim como em leituras por PDF. Há inúmeros aplicativos com recursos de marcação, comentário, hiperlink, etc. De qualquer modo, eu sugiro que no caso de leituras digitais você faça suas anotações em um caderno ou bloco de notas à parte. As ideias acima são sugestões e você pode fazer do modo mais simples até o mais enfeitado, desde que haja um critério e uma organização para que sua leitura seja eficiente. O inegável é o quanto ler ativamente muda o seu processo de interação com o texto e por isso conversamos hoje sobre como fazer marcações durante a leitura, um hábito que sem dúvidas vai elevar a sua relação com os …

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5 características de um bom conto

O conto é uma narrativa mais curta que se concentra, geralmente, em torno de um evento e de poucos personagens envolvidos. Costuma ser a porta de entrada para escritores de ficção e é uma ótima maneira de praticar enredos, uma vez que o ciclo da narrativa se encerra em poucas linhas e não é necessário se aprofundar além do necessário. É um texto que vai direto ao ponto e por isso se torna atraente para tantos leitores. Veja 5 características de um bom conto. 1. Chama atenção nas primeiras linhas Por natureza, o conto é objetivo. Isso não significa ser superficial, mas ter ciência que o leitor espera saber logo “qual é a do texto”. Não perca muito tempo enrolando ou dando descrições desnecessárias. Leia o início do conto A Cartomante, de Machado de Assis. “HAMLET observa a Horácio que há mais causas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras”. Conheça o Ebook Caderno de Exercícios Cena Veja quanta coisa o autor já contou em duas frases. Em poucas palavras o leitor já sabe que uma moça chamada Rita foi à cartomante e alguém está rindo dela por causa disso, provavelmente por ceticismo à atividade. 2. Desperta a curiosidade do leitor Ora, se o conto já me introduz de prontidão na história, é esperado que eu siga a leitura para saber o desenvolvimento da narrativa. Mas como o escritor pode prender a atenção do leitor a este ponto? Eu, pessoalmente, gosto de começar logo a trabalhar o conflito ou preparar o terreno de forma clara, para que o leitor sinta que algo vem aí e é bom ele continuar lendo. Leia também Como conectar a história ao leitor 3. Prioriza a ação Como eu disse, evite trechos desnecessários e detalhes que podem ser suprimidos. Parta para a ação e faça as coisas se movimentarem. Bons contos nos dão a sensação de que estamos vendo a cena ao vivo em vez de sentados ouvindo alguém contá-la. 4. Mostra mais do que conta Isso é possível diminuindo a quantidade de objetivos e ilustrando as cenas com mais vigor. Observe mais um parágrafo de A Cartomante, com alguns trechos destacados. “Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas”. São trechos que deixam o texto mais vivo e dinâmico. Conheça meus livros 5. É conciso Conciso: reduzido ao essencial; em poucas palavras (diz-se de escritos, ideias, discurso etc.); preciso, sucinto, resumido. O ideal é que tenha poucos personagens e que deles não seja mostrado, e contado, além do essencial para se entender e absorver a narrativa. Não há tempo para analisar seus traumas de infância ou dificuldades da adolescência. Um breve resumo, se necessário, dá conta. A psicologia mais profunda fica um pouco de lado e dá foco ao que o personagem está fazendo ou precisa fazer no esqueleto da história. Olhando as 5 características de um bom conto você pode perceber que leitores dessa espécie de literatura buscam ação e desfecho rápido, não necessariamente feliz ou previsível, mas um fim satisfatório, como se o escritor fosse o condutor de um trem que pega o leitor em uma estação e sabe que logo ele vai descer. O espaço da viagem é o tempo que ele tem para contar uma boa história. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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7 dicas para criar o hábito da escrita

Escrever pode parecer fácil quando temos um rompante de criatividade e o texto já surge semipronto na cabeça, só no ponto de colocar no papel. É a tal da inspiração. Acontece que esse fenômeno não acontece todos os dias. Na verdade, ele costuma ser raro e mesmo assim precisamos escrever e praticar. Por isso, no artigo de hoje temos 7 dicas para criar o hábito da escrita e escrever mesmo nos dias nublados. 1) Escreva sobre o que você sabe Olhe para a sua vida e o seu contexto e tire ideias dali. Se você é um professor de ensino médio, escreva sobre adolescentes, ou sobre educação, ou sobre um personagem enfrentando os desafios do ensino. Se você é um assistente financeiro da sua empresa, escreva sobre casos fraudulentos ou empresas de família. Imagine um grande mistério envolvendo autoridades ou um romance entre uma garota nova no setor e um carinha que entende muito de números. Sua realidade pode parecer comum, mas com um olhar mais apurado você pode ver ideias bem criativas. 2) Escreva para pessoas como você O que você gostaria de ler? Qual tipo de livro te interessa ou qual narrativa você compraria depois de ler a sinopse? Eu, por exemplo, adoro histórias de dramas e pessoas vivendo conflitos internos, por isso minhas histórias quase sempre rodeiam essa temática. Ao trabalhar com temas familiares você se sente mais confortável para escrever do que tentar trabalhar com assuntos estranhos. Baixe gratuitamente o Guia Prático para Criação de Personagens 3) Leia bastante Uma dica clássica e indispensável. Ao ler você entra em contato com outras histórias e essas histórias provavelmente vão gerar ideias, e com ideias frescas você fica no pique para escrever! Separe um tempo para leitura e logo em seguida emende uma sessão de escrita. Faça esse teste e me conte depois. 4) Pratique outras atividades criativas Às vezes tudo que precisamos é de um lápis de cor e umas tintas mesmo sem saber nada sobre desenhos e pinturas, ou de um fim de tarde observando que a luz está ótima para tirar foto de uma flor qualquer na rua. Desperte o seu olhar para outros tipos de criações. Leia também 3 dicas para escrever todos os dias 5) Pratique o ócio Criar um repertório é importante, mas deixá-lo ganhar forma também, e isso só é possível se você tirar um tempo sem fazer nada ou só para pensar em qualquer coisa. Os mil filmes e livros que você vê, as músicas que ouve, as publicações do Instagram que você curte, tudo isso vira um bolo dentro da sua cabeça e às vezes é necessário dar a oportunidade para que não se transforme em um emaranhado de informações sem utilidade. Fique um tempo ocioso apenas vendo o tempo passar. 6) Escreva sobre coisas aleatórias Já experimentou ter um diário? Um diário não precisa ser bem decorado como as fotos do Pinterest e nem conter grandes segredos. Basta que você esvazie sua mente e escreva sobre o que vem pensando nos últimos dias. Suas preocupações, alegrias, ideias… tire da cabeça e deixe no papel. Na hora de escrever suas histórias a cabeça estará mais livre. Conheça meus livros 7) Seja um leitor beta Um leitor beta é alguém que lê uma história e dá um pitaco sobre ela. Se você já escreveu um livro já deve ter ouvido falar nos betas. E você também pode ser um, basta encontrar um escritor por aí precisando de um leitor para dar uma opinião sobre o seu livro. Mas como isso pode me ajudar a ter o hábito da escrita? Ao avaliar uma obra semiacabada você pode identificar erros que porventura também comete, ou podem surgir sugestões úteis para sua história também. Isso dará você a vontade de sair correndo e trabalhar no próprio livro. Criar o hábito de escrita é trabalhoso como criar qualquer outro hábito. Precisa de um pouco de paciência e dedicação, mas vale a pena. Se você ama escrever, sentar e colocar as palavras no papel não é tão custoso assim, você só precisa saber lidar com a eventual falta de inspiração ou criatividade. Por isso as 7 dicas para criar o hábito da escrita podem ajudar. Me conta depois se funcionou? Aguardo sua resposta. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Como avaliar as cenas do seu livro

Quando escrevemos o primeiro rascunho da nossa história tendemos a despejar todas as cenas que vêm à cabeça, correndo o risco de nem sempre julgar bem a utilidade dela para a narrativa como um todo. Essa correção geralmente acontece na etapa seguinte, a edição do livro. Mas como saber se uma cena deve ou não estar ali? Como avaliar? Fazendo essas três perguntas a seguir: 1) Esta cena ajuda a trama a evoluir? Ora, a função de cada cena é levar a história para frente, descrever uma ação executada por um personagem. Quando eu falo em ação não precisa, necessariamente, ser algo físico e específico, como narrar o personagem em tempo real falando ou caminhando, mas pode ser algo mais abstrato, como pensar ou lembrar de eventos passados. Observe esse trecho do livro Max Perkins – Um Editor de Gênios, que é uma biografia, mas serve para ilustrar. “Seis anos haviam se passado desde a publicação de O Grande Gatsby. Nos últimos dois, Fitzgerald quase não encostara o lápis no papel. Decerto o fator principal para essa falta de progresso durante esse período havia sido a doença da esposa”. (Max Perkins – Um Editor de Gênios, A. Scott Berg). Baixe gratuitamente o Guia Prático para Criação de Personagens Vejam como o autor resumiu seis anos em três frases e deu utilidade para a cena, neste caso informar o leitor que o escritor Fitzgerald tivera um hiato longo entre um dos seus livros mais famosos e o tempo atual da narrativa. Isso é o que cada cena do seu livro precisa fazer: levar a história adiante, no ritmo que você considerar mais adequado para a dinâmica da narrativa. Do contrário, ela só estará ocupando espaço no seu livro. 2) Esta cena cria um conflito? Esse tópico poderia estar contido no anterior, mas eu resolvi deixá-lo separado porque nem todas as suas cenas criarão um conflito propriamente dito, mas servirão para desenvolver um conflito anterior ou posterior, como se estivesse preparando o terreno para algo que ainda estar por vir. Neste caso, você precisará avaliar a utilidade específica da cena. Veja mais esse trecho da biografia de Perkins. “De repente, desencadeou-se o caos na vida de Wolfe. Scott Fitzgerald contara onde Tom estava a uma mulher em Paris, que telegrafou a novidade para Aline Bernstein nos Estados Unidos, que, por sua vez, começou a mandar para o escritor cartas e telegramas falando de morte e agonia e ameaçando embarcar para a Europa a fim de encontrá-lo”. (Max Perkins – Um Editor de Gênios, A. Scott Berg). Olhando assim parece um trecho avulso, mas o leitor do livro que chegou até aí sabe que Aline é uma ex-amante que vinha perseguindo Thomas Wolfe e implorando para que ele reatasse o caso amoroso. Ou seja, o leitor sabe que a moça sair dos EUA para a Europa não é um bom sinal. Valeu a pena o biográfo ter inserido a informação pois ela ajuda a entender o contexto da vida de Wolfe, um dos escritores que Perkins associou durante sua carreira. Leia também 7 papéis que seus personagens podem assumir na sua narrativa 3) Esta cena tem uma informação relevante? Suponhamos que você escreveu uma cena que não mexe muito na dinâmica da narrativa e nem cria, desenvolve ou prepara nenhum conflito, mas se salva por conter uma informação relevante. Deixe-a onde está. “Ele não tinha desejo algum de se apegar aos seus ‘restos fedorentos de peixe podre’ de um original, mas, escreveu a Perkins, se alguém quisesse saber quando teria um novo livro lançado, ele responderia sem se desculpar: ‘Quando eu terminar de escrevê-lo e descobrir alguém que queira publicá-lo’”. (Max Perkins – Um Editor de Gênios, A. Scott Berg). Conheça meus livros Nessa passagem há a transcrição de uma das cartas de Wolfe a seu editor, Max Perkins, e é uma fala que mostra a personalidade explosiva e até um pouco imatura do autor. Uma informação relevante pode ser exatamente isso, um trecho que contribua para a apresentação do personagem ou que dê o tom do contexto da narrativa naquele instante. Esses são alguns pontos de partida que você pode usar para avaliar as cenas do seu livro. Ademais, uma que nunca falha é imaginar a história sem ela. Se não causa nenhum prejuízo, é dispensável. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Felicidade – Sabryna Rosa

Em um país distante havia um homem muito rico cujo conselheiro o acompanhava desde a juventude. Era um sujeito sábio, coerente e humilde. No leitor de morte, o homem chamou o único filho e pediu que cuidasse de suas posses e não trocasse de conselheiro enquanto este vivesse. Dito isso, fechou os olhos e partiu. O filho, desacostumado a cuidar de finanças e negócios, mas bastante habituado a desordens de todos os tipos, passou a tratar com irresponsabilidade a fortuna do pai. O conselheiro, sabendo que fazia parte de sua função alertar e corrigir, lançou orientações e advertências. Apontou-lhe os erros e antecipou as consequências. Conheça meus livros Cansado de ouvir o que não queria, o filho mandou o conselheiro embora para sempre. Um dia, em dúvida sobre determinada questão, anunciou que estava em busca de alguém para ajudá-lo, mas não poderia ser alguém cuja soberba e vaidade fosse maior que a vontade de contribuir. Assim, os candidatos apareciam e opinavam sobre diversas questões de acordo com suas experiências. Todos os que sugeriam mudanças, limites e prudências eram acusados de pedantes. Foi contratado aquele que deu a orientação aparentemente mais acerta: “Em toda dúvida que tiver, reflita: qual caminho me faz mais feliz?” De felicidade em felicidade o filho lançou a si mesmo na mais completa ruína. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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O mundo precisa ser salvo – Sabryna Rosa

Jerônimo sonhou que realizava um grande feito. Em sua mente adormecida ele se viu em cima de um palco, vestido em um bom terno, debaixo de holofotes e sob os olhares atentos de uma plateia cheia de expectativa. Era cerca de 10 anos mais velho e sua oratória era perfeita. À medida que explanava suas ideias, via as luzes refletidas nos olhos de quem ouvia. Em um evento histórico, ele anunciava que descobrira como viabilizar a distribuição de água potável para todas as comunidades do mundo que sofriam com a escassez. Conheça meus livros Acordou eufórico, certo de que aquele era o seu propósito e a sua missão na Terra. Passou dias contando para a esposa como iniciaria os estudos e como a ideia amadurecida daria frutos em um projeto que entraria para a história. Dez anos depois ele permanecia no mesmo lugar. A aparência bem diferente do sonho. Em vez da pompa, o anonimato do seu escritório doméstico, no lugar do terno, o pijama amarrotado; e nenhuma plateia ao redor, apenas a esposa pedindo mais uma vez que ele voltasse a procurar um emprego comum e ficasse menos obcecado com a ideia de salvar o mundo. “É o que preciso fazer, é o meu destino”, ele repetia, enquanto as contas eram pagas pela metade e os dias iam embora por inteiro. Salvar o mundo se tornou, afinal, a fuga perfeita para não salvar o básico. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Idas e vindas – Sabryna Rosa

Uma garotinha esperava do lado de fora do consultório quando um corpo magro e trêmulo sentou à sua frente. Com o tronco curvado e as mãos entre os joelhos, o homem se acomodou meio desconfortavelmente no banco e balbuciou algumas palavras para si mesmo. A menina reparou no pé enfaixado e nos dedos cujas pontas não estavam mais lá e que pela cicatriz já haviam sido cortados fora há muito tempo. Curiosa, perguntou quem o acompanhava e como resposta ouviu um “Ninguém não” meio tímido. Imaginou ele voltando para casa guiando seu esqueleto cambaleante e um pé pela metade. Conheça meus livros Há algumas semanas, em outra sala do mesmo hospital, ela testemunhou um burburinho entre as enfermeiras enquanto uma delas desenrolava um saco cinza de dentro do armário. Minutos depois ele guardaria um corpo inerte como um casulo de função invertida. Uma voz baixa disse: “Ela estava sozinha”. O homem de um pé e meio também, e muitos outros que ela viu, e alguns que ela não viu, chegariam e voltariam sozinhos de um hospital. Alguns não para casa. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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