Para Escritores

O que eu aprendi lendo O Zen e A Arte da Escrita

“Toda manhã, pulo da cama e piso num campo minado. O campo minado sou eu. Depois da explosão, passo o resto do dia juntando os pedaços. Agora é sua vez. Pule!”

Por essa citação contida no prefácio do livro O Zen e a Arte da Escrita, de Ray Bradbury, dá para perceber que não é um livro sobre conselhos comuns. O livro é uma coletânea de ensaios onde o autor conta sua experiência como escritor e procura transmitir a realidade desse trabalho ao mesmo tempo que injeta em você doses de ânimo e criatividade de um jeito que não dá para ignorar. Você termina o livro se sentindo incrível e inabalável.

O que eu aprendi lendo O Zen e a Arte da Escrita:

Você é único como escritor

“Não dê as costas, por causa da vaidade de publicar coisas intelectualizadas, ao que você é: o seu material é que faz você individual e, portanto, indispensável para os outros”.

Releio esse trecho num dia em que gostaria de rasgar o trabalho atual ao qual estou me dedicando justamente por não o achar bom o suficiente. Todo mundo passa por isso, eu sei. Todo mundo chega em uma parte da história que começa a achar um lixo e um desperdício do seu tempo e do tempo dos futuros leitores. Mas, se eu não escrever sobre isso, alguém vai? E se for, será da mesma forma que eu? Terá as mesmas coisas a dizer? Certamente não. E por isso a sua e a minha história são únicas.

Não se compare

“Mas é fácil duvidar de si mesmo, porque você olha e vê ao redor um conjunto de noções defendidas por outros escritores, outros intelectuais que fazem você corar de culpa. Escrever é considerado um exercício difícil, agonizante, desagradável, uma ocupação terrível”.

O item anterior de alguma forma nos leva a este, tema que eu já tratei no meu artigo 4 dicas para ser um escritor melhor. Nesse texto, Bêbado e no comando de uma bicicleta, Bradbury fala que sim, é importante nós buscarmos uma inspiração, um ponto de referência que possa nos dar alguma segurança, um norte, uma pista de que estamos no caminho certo ou podemos encontrá-lo uma hora ou outra. Mas acredite que o seu trabalho é quem vai definir você e a sua carreira, e isso é totalmente individual.

Livro O Zen e a Arte da Escrita/Edição Leya

Encontre e encante seus leitores

“Qual é a maior recompensa que um escritor pode ter? Não é o dia em que alguém corre até ele, o rosto queimando com honestidade, os olhos em brasa de admiração e declara: ‘Sua nova história é ótima, realmente maravilhosa!’? Então, e apenas então, escrever vale a pena”.

Fale a verdade, Bradbury está certo, não é? Você pode ter vendido milhões de cópias ou só ter um leitor, essa sensação é impagável. E, acredite, esse indivíduo que sairá correndo até você existe e está por aí louco para conhecer seu livro. Por isso, divulgue seu trabalho! Seu leitor precisa saber onde você está e o que você está escrevendo. Na verdade, ele não vê a hora do seu trabalho ficar pronto.

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Você vai errar e tudo bem por isso

“Não devemos desprezar o trabalho nem as quarenta e cinco das cinquenta e duas histórias escritas em seu primeiro ano como fracasso. O fracasso é desistir. Você está em meio a um processo dinâmico. Nada fracassa, então; tudo continua. O trabalho foi feito. Se bom, você aprendeu com ele; se ruim, aprendeu ainda mais. Trabalho feito e terminado é uma lição a ser estudada. Não há fracasso, a menos que se pare. Não trabalhar é cessar, empacar, tornar-se nervoso e, portanto, destruidor do processo criativo”.

Preciso dizer mais alguma coisa? Ler esse trecho me fez perder todo o medo que eu tinha de escrever coisas horripilantes e desastrosas. E eu sei que muitos parágrafos meus estão assim. Nos meus livros publicados, inclusive, muito embora alguns de meus leitores discordem. O fato é que autocrítica é sempre bem-vinda, mas um tapinha em suas próprias costas também. Está tudo bem. Eu e você ainda vamos escrever muitas histórias ruins, mas sem elas não tem como chegarmos nas boas. É um processo, um aprendizado constante. Só dá para ficar bom exercitando e seguindo em frente. Não pare. Continue escrevendo.

Sem dúvidas, O Zen e a Arte da Escrita mudou toda a minha perspectiva sobre a profissão de escritor. Eu diria que é uma leitura obrigatória. Principalmente porque não é um livro técnico que vem ensinar a escrever, mas que ajuda a encarar as dores e delícias desse universo. Ray Bradbury não pinta um mar de rosas e assegura o sucesso, a fortuna, mas limpa a sua vista e dá conselhos que você deveria colar na porta da geladeira e não esquecer nunca mais.

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2 thoughts on “O que eu aprendi lendo O Zen e A Arte da Escrita”

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