Para Escritores

Mostre, não conte: dicas para aplicar o conselho mais popular da escrita

Praticamente todo livro de escrita criativa que se propõe a dar dicas para elaborar uma narrativa vem com o famoso “Show, don’t tell”, ou “Mostre, não conte” ou “Não conte, mostre” ou a ordem que você quiser usar sem alterar o sentido. Essa técnica consiste em mostrar o que está acontecendo na cena em vez de simplesmente entregar os acontecimentos e roubar do seu leitor a maravilha que é absorver os eventos por si só. Você o conduz pela narrativa e deixa o resto com ele. Exemplo: em vez de dizer “Ana estava com fome”, diga “Ana sentiu um rebuliço no estômago causado pelas dozes horas que se passaram desde a sua última refeição”. É um recurso que enriquece o seu texto porque envolve o leitor na pele do personagem. Na minha opinião, é um exercício que requer prática, sensibilidade e criatividade, mas os benefícios para a narrativa são observáveis de primeira. Porém, por outro lado, não considero que seja unanimidade. Nem todas as cenas ou contextos encaixam com essa técnica. Às vezes, dizer “Ana ficou com medo” combina mais com o seu texto, sua história ou até mesmo seu estilo, do que “Ana sentiu o sangue esfriar nas veias”. Mas como o Show, Don’t Tell vai muito bem com a maioria das narrativas, hoje eu trouxe algumas dicas de como aplicá-lo: Não coloque suas observações pessoais “Ana calçou um sapato horrível e foi para a festa”. Horrível é uma opinião bem relativa, não acha? O que pode ser horrível para você pode não ser para o seu leitor. No caso de um narrador em primeira pessoa essa construção até pode funcionar, mas ainda é interessante mostrar porque o personagem acha o sapato horrível, para que os leitores possam tirar suas conclusões também. Você pode tentar dizer “Ana calçou um sapato cujos cadarços estavam sujos e a cor lembrava vômito de alguém com muita dor de barriga”. Conheça meus livros Faça comparações Um jeito muito bom de aproximar o seu leitor do que você quer dizer é fazendo comparações. “Ana apontou para o círculo de ouro que sustentava uma pedra brilhante como uma estrela num céu de verão. Era o anel mais bonito que já tinha visto na vida”. Seu leitor vai imaginar a intensidade do brilho pela comparação com a estrela. Use metáforas Assim como a dica anterior, usar metáforas ajuda o leitor a visualizar o que está acontecendo na cena. “O olhar engessado de Ana intimidou o rapaz” ou “O silêncio entre os dois era tão sólido que ninguém poderia passar entre eles sem sentir um incômodo obstáculo”. Explore os cinco sentidos Os cinco sentidos são um recurso relativamente fácil de usar pois estamos fazendo uso deles o tempo inteiro. Expressões sensoriais aproximam o leitor do personagem de um jeito mais “humano”. Mais do que simplesmente adjetivar você estará colocando um na pele do outro. Visão: “O livro manchado de gordura era sinal de que alguém já tinha estado ali”. Tato: “Ana sentiu a superfície áspera e soube imediatamente do que se tratava”. Paladar: “O gosto amargo na boca foi sua resposta íntima ao que acabara de ouvir”. Olfato: “As paredes estavam impregnadas com aquele cheiro de ovo frito na manteiga”. Audição: “A rouquidão nas palavras dele fez ela se lembrar de com quem estava falando”. Por que seu personagem é assim? Imagine que você decidiu que Ana é uma mulher egoísta e arrogante. Certo, agora mostre como Ana é egoísta e arrogante. Coloque-a numa cena recusando uma esmola mesmo estando com o bolso cheio de moedas, ou então se negando a todo custo a pedir desculpas mesmo tendo plena consciência que errou. Imagina que seu leitor está perguntando a você “Quem te disse que Ana é arrogante? Só acredito vendo”. Então mostre. O “Mostre, não conte” é um recurso poderoso para usar na sua escrita. Tente praticar em todos os textos que escrever daqui pra frente ou notar essa técnica nos livros que está lendo. Depois volte aqui e me conte o que observou. Ou me mostre. Faça parte da minha lista de e-mail e não perca nenhum conteúdo * indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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7 dicas de marketing para escritores

O autor independente é aquele que cuida não só da escrita como da venda dos seus livros, e não existe venda sem um bom marketing, certo? Por isso aqui vão 7 dicas de marketing para escritores, para alavancar o reconhecimento do seu trabalho e do seu nome como escritor. 1. Ofereça livros gratuitos Não há consumidor no mundo que resista a um bom produto grátis. Disponibilize algum trabalho seu em troca de um e-mail ou de um compartilhamento e chame a atenção do leitor com aquilo que você está oferecendo. Esse recurso é útil para aumentar sua audiência, mas o mais importante, na minha opinião, é que o público está dando a você um voto de confiança e se disponibilizando a conhecer o seu trabalho. 2. Estabeleça preços acessíveis Não entenda esse tópico como não valorização do seu trabalho. Não se trata disso, trata-se de pegar um dos muitos caminhos para deixar seu livro atrativo. Eu vejo autores independentes oferecendo exemplares a R$ 60 + frete e, mesmo sabendo que o processo de publicação não é barato, eu acredito que um valor desse para livros “comuns” (aqueles que não são técnicos, como gramáticas, etc) estão fora da realidade. No momento dessa publicação, o livro Midnight Sun, de Stephenie Meyer, um braço da saga Crepúsculo, está custando os mesmos R$ 59,90 na pré-venda. Sim, eu sei que o livro do autor independente nesse preço pode valer cada centavo, dada a qualidade do texto, o seu trabalho e tudo mais, mas pense pelo lado do público e se faça a seguinte pergunta: a sua popularidade está pronta para concorrer com livros da mesma faixa de valor, mas de autores muito mais famosos? Digamos que o seu público e o da Stephenie Meyer sejam o mesmo, você garante que o leitor vai escolher o seu ao dela? Mais uma vez: não é um desmerecimento, mas um puxão para a realidade e para a concorrência, que pesa e muito. E uma reflexão: o livro da Meyer chegou onde chegou sozinho ou o marketing ajudou um pouquinho? 3. Pense na capa Esqueça essa história de não julgar o livro pela capa. Isso é poesia e na teoria é muito bonito, mas na prática não tem como fugir do fato de que uma boa capa chama a atenção e estimula a compra. Capriche na sua. Conheça meus livros 4. Tenha uma plataforma Aqui estou eu batendo nessa tecla outra vez (em breve um post só sobre esse tema). Você precisa de um lugar na internet para chamar os leitores para um cafezinho e mostrar seu trabalho a eles. Se eles chegarem até o seu livro por acaso eu tenho certeza que eles vão correndo para o Instagram, Facebook ou Google procurar o seu nome e saber mais sobre você ou sobre seus outros livros. Esteja preparado para esse encontro. 5. Publique o que está escrevendo Vamos lá, jovem, não tenha medo. Todo escritor famoso teve sua primeira vez na publicação e o frio na barriga era igual. Eu sei que dá um receio pelo que as pessoas vão pensar. Vão gostar ou vão me cancelar na internet? Mas precisamos dar o primeiro passo, colocar o texto no sol e sentir a reação das pessoas. Aprender com os feedbacks e melhorar sempre. Experimente ir publicando aos poucos. Um texto curto aqui, um conto acolá, uma foto no Instagram com um poema seu. Isso funciona para ir perdendo o medo e ao mesmo tempo dar pitadas para o leitor sobre coisas maiores que virão. 6. Planeje o conteúdo nas redes Esse tópico é para quem já me ouviu e já foi se cadastrar em alguma rede social ou plataforma de blogs (você pode deixar o link nos comentários porque eu quero conhecer!). Agora que você já tem um lugar bonito e cheiroso para receber seus leitores, pense no que você vai publicar lá além do seu trabalho. Oxe, que história é essa? A história é que sua plataforma é, de certa forma, uma vitrine, mas não só isso. Use-a para deixar se conhecer um pouco mais. Fale sobre os livros que está lendo, quem vem sendo suas referências, o que você está planejando sobre o novo lançamento, sua opinião sobre determinados assuntos, porque isso também é uma forma de envolver o seu público e chamá-lo para conversar. 7. Recupere livros antigos Lembra o primeiro tópico? Usar trabalhos antigos é uma ótima forma de ganhar público. Aqui no meu site você pode baixar gratuitamente o meu primeiro livro, Cafés Amargos, publicado em 2013. Se você gostar, pode conhecer meus contos publicados gratuitamente aqui, no Sweek, e outro em venda na Amazon. Para convencer o público de que seu trabalho merece ser lido nada melhor do que mostrando um pouquinho dele, sem custo e com muito amor e humildade. Essas foram as 7 dicas de marketing para escritores que eu busco aplicar no meu trabalho e acho que podem funcionar para o seu. Nada é regra, tudo pode ser adaptado e melhorado para sua realidade, mas é inegável de que para alcançar os leitores todo autor precisa de um marketing minimamente planejado e eficiente. Como você vende seu livro?

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