Existe uma legião de filhos e filhas de pais desfuncionais que compartilha experiências e sentimentos semelhantes da própria história. Manoela Sawitzki divide com o leitor parte de suas memórias nesse relato quase autobiográfico e de título puramente sugestivo: Filha. A narrativa se desconstrói em volta da relação de uma filha caçula com seu pai, um sujeito autoritário, alcóolatra, violento, mas ainda seu pai. A voz do texto volta aos 11 anos de idade e, fase a fase, vai contando como era conviver com o inimigo sangue do seu sangue. Num contexto de anos 80-90, tudo era ainda mais complexo, uma vez que as relações domésticas se entrelaçavam às circunstâncias da…


