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[Resenha] Sangue na Neve – Jo Nesbo

Sinopse Olav é um matador de aluguel que presta serviços a Daniel Hoffmann, um dos maiores criminosos de Oslo. Todas as ordens são executadas prontamente até Hoffmann encomendar a morte da própria mulher, por quem Olav se apaixona instantaneamente. Resenha Meu primeiro contato com Jo Nesbo foi digno de colocá-lo entre os favoritos sem muito medo de me arrepender depois. A construção do personagem leva em conta não apenas a sua profissão, ou o que decorre dela, mas envolve traços de pessoas comuns, como ser um frequentador de bibliotecas públicas. Algumas outras características peculiares em Olav: ele é disléxico, não sabe dirigir devagar, é muito sentimental, se apaixona fácil e é ruim em matemática. O livro é narrado em primeira pessoa, então é o próprio Olav quem nos apresenta seus defeitos e qualidades logo no início, e cada uma delas acaba aparecendo em algum momento durante o livro. “E, de acordo com um tal de Hume, o fato de até agora eu ter acordado toda manhã no mesmo corpo, no mesmo mundo, onde o que aconteceu de fato aconteceu, não era garantia de que a mesma coisa voltaria a ocorrer na manhã seguinte”. Dirigir rápido é uma atitude suspeita, e se você está roubando algo é melhor disfarçar o quanto puder. E por falar em roubo, essa é uma das “profissões” que Olav experimentou e descartou da sua lista de habilidades por sentir um remorso muito grande com relação às vítimas. Ser cafetão também não era pra ele, uma vez que ele se afeiçoava às prostitutas e não admitia bater e nem vê-las apanhando. E traficar drogas é um ofício muito ruim para quem tem dificuldades com cálculos. Por isso, entre as atividades ilícitas de Daniel Hoffmann, sobrou uma vaga de matador de aluguel, que, para surpresa de Olav, ele conseguia executar muito bem. Assassinar a mulher de seu chefe parecia só mais um trabalho, por mais estranho que fosse, mas se tornou uma questão pessoal quando ele viu a linda Corina caminhar “como um gato” em seu apartamento e deixar seus sentidos bagunçados. Ele não era mais um homem a mando de um criminoso, mas alguém cuja disciplina foi transformada em compaixão e, em seguida, em paixão. “A vida parece ser simples quando você está doente”. Corina fora jurada de morte por estar traindo Daniel e a ideia de matar o amante, em vez da traidora, pareceu mais inteligente para Olav, que com essa simples decisão tomada por conta própria gerou consequências inimagináveis e selou seu destino num caminho sem volta. A partir daí sua vida dá um giro e ele se vê obrigado a partir em outra direção e com outros objetivos. Olav é um assassino por encomenda, mas adquiriu princípios que se transformaram em um código de ética inviolável, e seus sentimentos, mais do que sua razão, acabam guiando suas ações, não só no núcleo que envolve Corina, como nas lembranças da sua juventude, onde tudo começou, com o pai meliante e uma mãe alcóolatra. Minha conclusão sobre Olav é que ele é uma consequência do meio, e não exatamente uma vítima, porque teve oportunidades de não enveredar pelo caminho do crime. Por outro lado, não o vi como um monstro, irrecuperável e irredimível, e sim alguém que decidiu explorar suas habilidades, mesmo sabendo de sua imoralidade e ilicitude, e aceitou as consequências disso. Leias outras resenhas O desenvolvimento do personagem e o equilíbrio na exposição dos detalhes foi muito bem executado pelo autor. Olav tem como livro de cabeceira Os Miseráveis, e conta como é para ele, na sua condição de disléxico, se conectar com as palavras. Ele chega até mesmo a fazer um paralelo de sua história com a de Jean Valjean mostrando como absorve a sua vida num contexto que vai muito além dos crimes. Certamente uma leitura e tanto para começar a conhecer as obras de Jo Nesbo. Esse e muitos outros livros estão disponíveis no catálogo do Kindle Unlimited, o serviço de assinatura de livros da Amazon que custa apenas R$ 19,90 por mês. Para assinar clique aqui. Sobre o autor Nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, economista e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa (Fonte: Site Fnac). Sobre o livro Título: Sangue na NeveAutor: Jo NesboAno: 2015Editora: RecordPáginas: 154Avaliação: 4/5 Você pode encontrar esse livro clicando aqui. Esse post contém links afiliados e comprando através deles você colabora com o meu trabalho sem custo adicional no seu produto. Obrigada!

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[Resenha] Os Desaparecidos – M. R. Hall

Sinopse Jenny Cooper trabalha como juíza investigadora no interior da Inglaterra. A visita da Sra. Jamal, mãe de um jovem muçulmano desaparecido há sete anos, motiva Jenny a reabrir o caso que aparentemente foi arquivado de maneira arbitrária. Durante a investigação ela ainda precisa manter seu tratamento contra a ansiedade e lidar com Ross, o filho adolescente que está absorvendo a separação recente dos pais. Resenha Jenny começa essa história se compadecendo de uma mãe aflita em busca de respostas e chega ao final desvendando um mistério que envolve de corpos roubados de necrotério a elementos radioativos espalhados por aí. E tudo muito bem amarradinho, a melhor parte. Nazim e Rafi eram amigos e universitários, mas é a mãe de Nazim que não deixa a investigação esfriar e procura esgotar todos os seus recursos para ir até o fim e descobrir o que realmente aconteceu com seu filho. Muçulmanos, os dois foram acusados de terem sido recrutados para fazerem parte de células terroristas no exterior, desaparecendo então sem deixarem rastros. Leia outras resenhas Embora a Sra. Jamal tenha observado que o filho se aprofundou em sua religião e estava deixando os costumes ocidentais de lado, ela é firme em sua posição de que Nazim não fazia parte de nenhum esquema terrorista, fosse na Inglaterra ou no Afeganistão. Essa é a linha de investigação de Jenny, que considera outras possibilidades além da dedução de que por serem muçulmanos eles eram automaticamente terroristas. A partir daqui a juíza começa a desconfiar que o próprio Estado está envolvido em maquiar a verdadeira realidade. Os poderes de Jenny nessa função são limitados, mas ela enfrenta toda a burocracia do sistema judiciário britânico para colher mais provas e chegar a uma conclusão sólida. Para isso, ela conta com a ajuda de sua assistente Alisson, que participa por obrigação do trabalho e não por acreditar em outro resultado, e McAvoy, um advogado odiado pelo sistema por não ter sido muito honesto em sua carreira passada. Cada página desse livro é um prato cheio de rastros, indícios, personagens suspeitos e um clima que não desanima o leitor em nenhum momento. Mesmo quando o foco é a vida pessoal de Jenny a história continua em alta. Na verdade, o drama do seu tratamento contra ansiedade entra na medida certa e nos faz ter compaixão dela, que vive a base de remédios e teme por uma crise de pânico em pleno tribunal. A série Jenny Cooper é composta por sete livros independentes e esse é o segundo. Ano passado, no Canadá, estreou uma série chamada Coroner, inspirada nos livros. Com a diferença de que na série Jenny Cooper é uma médica legista que colabora com a polícia. Ah! Não ignore o epílogo! A última frase explica os traumas de Jenny e vai te deixar morrendo de vontade de ler os outros livros, confie em mim. Sobre o autor MR Hall vive e trabalha no vale de Wye, no sul de Gales. Nascido em Londres em 1967, foi educado na Hereford Cathedral School e no Worcester College, Oxford, onde se formou em direito. Por mais de dez anos, Matthew foi roteirista e produtor de cinema e escreveu mais de quarenta horas de drama no horário nobre da BBC1 e da ITV. Seu romance de estréia, The Coroner , foi publicado por Pan Macmillan no Reino Unido em 2009 e foi nomeado para a Associação de Escritores de Crime da Gold Dagger na categoria de melhor romance. O segundo romance da série, The Disappeared , foi publicado nos EUA por Simon e Schuster em 1º de dezembro de 2009 e no Reino Unido por Pan Macmillan em janeiro de 2010. (Fonte: Love Reading) Sobre o livro Título: Os Desaparecidos (Jenny Cooper #2)Autor: M. R. HallEditora: RecordAno: 2013Páginas: 406Avaliação: 4/5 Você pode encontrar esse livro clicando aqui (esse link leva à loja da Amazon e comprando através dele eu ganho uma pequena comissão sem custo adicional para você)

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[Resenha] A Biblioteca do Geógrafo – Jon Fasman

Sinopse No século XII, um ladrão siciliano entra na casa do geógrafo da corte e rouba um saco cheio de objetos. Perseguido pelos guardas, ele foge e deixa tudo para trás. Novecentos anos depois, em uma cidadezinha dos EUA, um professor universitário aparece morto e o jornalista Paul Tomm é o responsável por escrever seu obituário. Pesquisando sobre a vida do professor, Paul descobre que sua morte e o roubo estão interligados. Resenha Romances policias com características históricas me chamam muita atenção. Pela sinopse me prendem e me fazem arranjar um tempinho para ler o mais rápido possível, porque uma história com ladrões, mortes misteriosas e artefatos antigos não tem como dar errado, certo? Às vezes tem. Na verdade, não totalmente errado, mas não tão certo quanto poderia ser. Cada capítulo do livro é introduzido pela narração, em terceira pessoa, da jornada de cada um dos objetos pelo mundo. Alguns foram roubados, outros trocados por bebês, outros tomados a preço de sangue, e todos viajaram por séculos e países afora. Todos também têm alguma relação com a alquimia. Essa é a parte interessante da história. Leia outras resenhas “Seu vizir sustentou que os da nossa fé cumpriam a necessidade da alma humana de viver em terror substituindo o medo da morte pelo medo da transgressão; só que a morte acontece somente uma vez, e o homem, sendo mortal e abjeto, transgride cada vez que respira”. A parte morna é a investigação (a que eu mais esperava!). Paul é jovem e acabou de começar sua carreira de jornalista em um jornalzinho qualquer de cidade pequena. Ele é tratado bem, gosta de seus colegas de trabalho e vai levando a vida. Mas falta aquele brilho nos olhos que todo mundo quer ter na profissão, sabem? Por isso, quando uma simples pesquisa da vida de um professor começa a revelar fatos estranhos e desconexos entre si, ele começa a ver que existe uma história boa aí por trás. Perigosa talvez, mas boa. E foi nesse instante que eu me ajeitei na cadeira e esperei um jornalista investigativo que desvendaria todo o mistério. Não foi bem o que aconteceu. Primeiro, ele arranjou um auxílio policial meio fora de rumo. Um sobrinho de um ex-professor da faculdade que sequer era da mesma jurisdição do caso e precisou fazer um malabarismo para ajudar. Segundo, ele se apaixonou por uma fonte que prometia ser muito suspeita e acabou se revelando uma personagem que não fez jus ao suspense que gerou e nem ao romance que se dispôs. No final das contas, a função de Paul foi apenas mexer em um vespeiro e assistir às peças aparecendo sem ter nem ideia de como juntá-las. Foi necessária a velha cena do vilão contando os planos para o leitor saber o que aconteceu. Nem preciso dizer que o final também me decepcionou, não é? Eu esperei uma história estilo Dan Brown e li algo nem muito lá, nem muito cá. Desse livro eu fico com a boa descrição dos objetos e as citações inteligentes no começo de cada capítulo. Sobre o autor Jon Fasman nasceu em Chicago em 1975 e cresceu em Washington. Estudou nas universidades de Brown e Oxford e trabalhou como jornalista em Washington, Nova Iorque, Oxford e Moscovo. A Biblioteca do Geógrafo é o seu primeiro livro. Os seus artigos foram publicados pelo The Times Literay Supplement, Slate, Legal Affairs, The Moscow Times, The Washington Post e The Morning News. (Fonte: Site Wook) Sobre o livro Título: A Biblioteca do GeógrafoAutor: Jon FasmanAno: 2009Editora: José OlympioPáginas: 420Avaliação: 2/5 Você pode encontrar esse livro clicando aqui (esse link leva à loja da Amazon e comprando através dele eu ganho uma pequena comissão sem custo adicional para você)

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