Bastidores

A Copa do Mundo ainda é nossa

Foi uma Copa do Mundo que me fez gostar de futebol. Era 2006, eu tinha 12 anos de idade e só se falava disso por todos os lugares. Para quem foi educada na TV aberta, sem internet (nem a discada) e privada das opções dos canais fechados, restava-me passar o tempo consumindo o esporte mais popular do planeta.

Aos poucos, fui entendendo como as regras funcionavam, aprendendo os nomes dos jogadores e de quais países eles eram, e internalizando o significado de “todo mundo tenta, mas só o Brasil é penta”. Compreendi como éramos grandes e como era bom ser brasileira.

De lá para cá, esse é o meu esporte do coração. Quando é época de Copa novamente, a empolgação começa desde a distribuição dos grupos, passando pela expectativa dos convocados, das partidas, das zebras, e pelos ritos cerimoniais. Ah, como eu gosto das cerimônias! Talvez eu devesse ter me especializado em Relações Públicas e não em Jornalismo, na universidade.   

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Este texto está sendo escrito pós primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2026, contra o Marrocos, com quem empatou, desapontando um pouco a nossa torcida. Se você, leitor, chegar até esse texto no futuro, talvez se lembre que neste exato momento a confiança no time brasileiro não é tão firme. Será que no mês agosto já somos hexa? Não dá para saber. Mas até lá ainda tem muitos dias interessantes para serem vividos graças à FIFA.

Ainda que o Brasil não toque na taça neste ano, é especial demais ver a seleção de Curaçau marcar seu primeiro gol, na primeira partida, na sua primeira Copa do Mundo. Ver os atletas de ambos os times desse mesmo jogo se unirem no meio do campo para orarem porque, mesmo sendo adversários, ali o Senhor pode ser louvado em conjunto.

Ver que um empate sem gols entre Costa do Marfim x Equador empolgou até o mais desanimado dos torcedores, ficar acordado até mais tarde e ser agraciado com dois belíssimos gols da Suécia, acordar e ajeitar todo o seu dia para encaixar as quatro partidas e achar o máximo que haverá quatro partidas!!

Isso é Copa do Mundo. É um jogador que, ao comemorar o gol, atribui a autoria ao Senhor. É também o bebê que dorme no colo da mãe na arquibancada sem ter a menor ideia do que está acontecendo. É a emoção de ver seu país jogando, seja pela primeira ou pela vigésima terceira vez. É reunir os amigos no bar e detestar a experiência porque ninguém fica quieto, mas também não querer ver sozinho em casa porque comemorar em grupo é muito melhor.

Com título ou sem título, a Copa do Mundo ainda é nossa, de todos os amantes de futebol.

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Escritora, jornalista e leitora assídua desde que se conhece por gente. Escreve por achar que a vida na ficção é pra lá de interessante.

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Sabryna Rosa