Para Escritores

15 perguntas que você deve fazer ao editar seu livro

A escrita de um livro é um processo com pelo menos três etapas: rascunho, revisão e publicação. Na etapa de revisão entram tanto as revisões gramaticais quanto as estruturais, ou seja, a edição do texto, aquela fase onde você elimina, aperfeiçoa ou acrescenta partes a sua narrativa. A edição é uma etapa muito importante, pois essa é a hora de lapidar o seu texto até ele ficar ideal para publicação. Para ajudar nessa etapa, aqui vão 15 perguntas para você fazer ao editar seu livro 1. O que precisa cortar? Corte todas as cenas desnecessárias, aquelas que não contribuem para o andamento da narrativa. Corte também os diálogos irrelevantes ou aqueles que você pode resumir em vez de descrever. Exemplo: Em vez de − Mãe, você viu a coleira do Dino?− Não vi. Vocês são tão desleixados…− Ai, me deixa. Hoje eu não estou boa. Escreva Depois de procurar pela casa inteira pela coleira de Dino, sua única opção era perguntar para a mãe, já sabendo que levaria uma bronca por isso. Logo naquele dia que seu humor não estava dos melhores. Corte também personagens que não influem nem contribuem para nada na trama. 2. Há alguma ponta solta? Observe se seus personagens não deixaram nada inacabado ou se você iniciou um conflito e não deu o desfecho, como a protagonista ver uma mensagem suspeita no celular do namorado e nada acontecer. Ela deveria confrontá-lo ou deixar para lá faz parte de quem ela é na história? 3. Todos os pontos de vista estão corretos? Você pode escrever uma história em primeira ou terceira pessoa, ou mesclar ambas. Certifique-se de que está usando o ponto de vista correto em cada cena. Não tem como seu personagem, em primeira pessoa, dizer “E nesse instante Marcos pensou que seria melhor ir embora dali”. Como ele sabia o que Marcos estava pensando? A menos que seja uma condição própria do personagem, ou da história, não faz sentido. 4. Qual o objetivo dessa cena? A cena é um conjunto de ações acontecendo em um espaço de tempo. Qual o objetivo dessas ações? Como elas contribuem para a evolução da narrativa? Você pode escrever cenas de “respiro”, aquelas onde os personagens não necessariamente estão apagando incêndios, mas dando um passeio na rua, tomando um café ou esperando o jantar. Se esse for o caso trabalhe a cena para que ela pelo menos mostre mais da personalidade dos personagens ou introduza uma fala que fará mais sentido lá na frente. 5. O clímax está bom? Por bom eu quero dizer: o leitor se sentirá estimulado a ler o desenrolar da história? O clímax é aquele momento onde o herói é posto à prova, onde ele enfrenta seus monstros de frente ou onde tudo começa a dar errado. Analise o nível de empolgação que esse ponto está causando. 6. Está muito rápido ou muito lento? Se você está escrevendo um romance seus leitores precisam de tempo para conhecerem os personagens e se familiarizem com eles. Por outro lado, eles não vão querer passar quinze capítulos acompanhando uma rotina onde nada acontece. Não demore a introduzir as ações, mas também não dê a sensação de que o livro está acontecendo no acelerado 2x. 7. Os personagens são coerentes? É muito importante que seus personagens sejam bem construídos antes mesmo de você escrever a primeira linha da sua história. Dentro da narrativa eles precisam falar e agir conforme eles foram criados. Seu personagem não pode ter chegado do exterior e usar as gírias que usamos no interior do nosso Brasil. Da mesma forma que uma criança não vai comprar o jornal do dia para procurar o aluguel de uma casa nova. 8. O final faz sentido? O final da sua história, seja ele bom ou ruim, feliz ou triste, precisa estar condizente com os eventos apresentados durante toda a narrativa. Você pode deixar um final em aberto, você pode matar quem você quiser, você pode surpreender ou pode cumprir com o esperado, mas você não pode terminar com elementos desconhecidos, inexplicados, ou com uma sequência que faz parecer que dois livros diferentes foram costurados um no outro. Leia também O que eu aprendi lendo O Zen e A Arte da Escrita 9. Precisa mudar algo? Essa pergunta será respondida comparando a sua narrativa com a pesquisa que você fez sobre o tema, cenários ou personalidades dos seus personagens. Imagine que sua história se passa no cerrado brasileiro e você construiu paisagens que não são típicas daquele lugar? Ou se algum personagem possui uma determinada condição médica e você atribuiu sintomas que não são característicos? Isso tudo deve conferido e consertado, caso necessário. 10. Os diálogos estão verossímeis? Você pode atestar se seus diálogos estão bons lendo-os em voz alta e analisando se eles soam natural. Tente não parecer forçado, com muito formalismo em conversas cotidianas. Adeque a fala e o tom ao seu personagem – um idoso não fala igual um adolescente e um homem do campo não fala igual um CEO, por exemplo. 11. Qual o propósito da história? Seu personagem principal deve ter um objetivo e sua história deve ter uma mensagem, ainda que ela não fique explícita. Um homem em busca de um amor de infância pode estar tentando se preencher, mas ao encontrá-la casada com outra pessoa percebe que investir todas as expectativas em alguém, ou num evento que não pode controlar, é o estopim para um desequilíbrio interior. 12. Qual a motivação dos personagens? Essa questão está muito ligada à interior. Por que o lobo mau quer enganar a Chapeuzinho? Para devorar ela e sua avó. Por que a Bella quer tanto ser transformada em vampira? Porque uma vida inteira humana com Edward não é suficiente. Por que e para quê seus personagens fazem o que fazem? 13. O conflito está atraente o bastante? Quando meus leitores lerem a minha sinopse eles se sentirão atraídos pelas batalhas que meus heróis irão travar? Lembre-se que se seu herói não precisa fazer muita coisa para …

Continue Reading
Para Escritores

Como escrever boas cenas

Uma história é uma sucessão de ações acontecendo dentro de um espaço e em determinado tempo. Quando um sujeito pratica uma ação ali temos uma cena. Mas como construir uma cena que convença e envolva o leitor? Usando esses três itens que não podem faltar na sua narrativa: 1. Elementos fixos Pense no cenário onde a ação se desenrola. Como é o espaço? É uma sala, um quarto, um parque? O que há nele? Liste tudo que vier à sua cabeça quando você pensa no seu personagem naquele lugar. Exemplo: Aeroporto. Elementos fixos: cadeiras, guichês, telões, aviões na pista, teto alto, paredes cinzas, letreiros, placas em vários idiomas… 2. Elementos variáveis Pense como variável tudo aquilo que pode mudar de uma hora para outra e seu personagem pode absorver. Geralmente são itens abstratos como luz, temperatura, som, cheiro, paladar. Exemplo: Aeroporto. Elementos variáveis: fim de tarde com a luz do sol se pondo, chuva, calor, frio do ar condicionado, cheiro de batata-frita da lanchonete, café doce tomado no balcão. Leia também 10 coisas que ajudarão você na sua carreira de escritor 3. Ação Aqui é onde a magia acontece. Não há história se nada acontecer nas cenas, certo? Nesse item entram os movimentos, os pensamentos e os diálogos. Exemplo: Aeroporto. Ações: Homem ao pé da escada rolante andando de um lado para o outro, mulher irritada pedindo informações, criança perdida dos pais. Cada cena tem seu próprio ritmo e objetivo, mas o ideal é que esses três itens estejam combinados entre si, pois cercam o leitor de tudo o que ele precisa para entender a cena no seu contexto geral. Vejamos um exemplo: Mauro entrou no aeroporto e foi atingido pela rajada fria do ar condicionado [elemento variável: a temperatura pode ser aumentada ou diminuída]. Ele girou a cabeça de um lado para o outro tentando encontrá-la [ação], mas tudo que viu foram largas paredes de vidro [elemento fixo] por onde os últimos raios de sol do dia entravam [elementos variável: logo vai anoitecer]. Sem ter certeza para aonde ir ele correu [ação] em direção aos guichês de embarque [elementos fixos]. Com sorte ela ainda estaria lá, entre o quinto e o sexto integrantes de uma fila. Observe esse parágrafo do romance Jane Eyre, de Charlotte Brontë, e perceba como os três elementos compõem a cena de maneira adequada: “Beirava o crepúsculo [variável] e o relógio [fixo] já havia alertado da hora de se vestir para o jantar quando a pequena Adèle, que se ajoelhara [ação] perto de mim no assento junto à janela da sala de estar [fixo], de repente exclamou:– Voilà Monsieur Rochester, qui revient! [ação]” Como está a sua história? Agora que você aprendeu mais sobre como escrever boas cenas eu tenho certeza que sua narrativa ficará ainda mais envolvente. Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

Continue Reading
Para Escritores

Como saber que tipo de livro escrever

Depois de tomar a decisão de escrever nós costumamos nos deparar com questões ainda mais cabeludas. O que escrever? Que tipo de história? Qual gênero? Em que formato? Hoje eu trouxe algumas dicas para você responder todas essas perguntas e saber que tipo de livro escrever. Ficção ou não ficção? A ficção é o formato de texto mais popular entre leitores e escritores. Aqui estão aquelas histórias criadas do zero, imaginadas na mente do escritor e transportadas para o papel. O autor tem liberdade de criação, podendo criar animais falantes, personagens mágicos, universos paralelos e países com sistemas próprios. Ou pode permanecer na realidade já conhecida, mas trabalhando eventos únicos nos seus enredos. Livros classificados como não ficção costumam tratar sobre um tema específico dentro de áreas como política, economia, história, física, biologia, psicologia, etc. Nestes casos é importante que o autor conheça bem ou estude bastante sobre o tema que gostaria de escrever. Essa é a parte mais simples de decidir, na minha opinião. Vai mais da sua vontade e habilidade. Você se considera criativo e tem facilidade em criar narrativas ficcionais? Ou você é um expert em algum assunto e gostaria de falar e ensinar sobre ele aos seus leitores? Ficção, e agora? Na literatura existem gêneros como o lírico, o narrativo e o dramático. Para sermos mais diretos vamos partir para o narrativo, dentro do qual está o romance, o conto, a novela e outros subgêneros. Aqui é onde você estará se gosta de contar histórias. O romance é uma narrativa longa e mais complexa em termos de estrutura. Em resumo, você precisa ter um herói, um antagonista (que pode ser ou não uma pessoa), um conflito e uma jornada que seu mocinho ou mocinha vai percorrer para alcançar seu objetivo. Cabem mais personagens e conflitos paralelos, tanto com o protagonista quanto com os coadjuvantes. O conto é uma história curta com um personagem central e um único acontecimento ao redor dele. Costuma-se iniciar já com o conflito e o personagem envolvido, cabendo ao resto da narrativa o desenrolar do episódio. É um ótimo tipo de texto para começar a treinar. Leia também 5 lições para escritores Já a novela é um meio termo entre o conto e o romance. Costuma girar em torno de um conflito único, mas há um pouco mais de espaço para trabalhar o personagem. No romance temos tempo de explorar nuances psicológicas e subenredos, enquanto que na novela a narrativa vai mais direto ao ponto. Romance romântico, ficção científica ou thrillers? Dentro dos três subgêneros acima você pode trabalhar a sua história em várias ramificações. Um romance pode ser romântico ou não. Um romance pode ser de fantasia, policial, de terror, ou ficção científica. Se você não sabe qual escolher é interessante observar as suas preferências de consumo. Qual seu tipo preferido de livro? E de filme? E séries? Você gosta mais das narrativas dramáticas ou daquelas mamão com açúcar? Você gosta de histórias de aventuras? Faça uma lista com os três livros, filmes e séries que você mais gostou de ver nos últimos tempos e observe se há um padrão entre eles. Será que todos envolvem investigações policiais? Esse exercício não é uma regra e você não precisa bater o martelo ainda. O escritor iniciante precisa se conhecer e isso só é possível experimentando e fazendo testes. Você pode começar escrevendo contos de ficção científica e chegar à conclusão que não é a sua praia. Você pode escrever uma história sobre um casal apaixonado e perceber que tem facilidade com enredos desse tipo. Conheça meus livros Aqui reafirmo: busquem escrever contos nessa etapa de autoconhecimento da sua escrita. Começar com um romance é um pouco arriscado quando você ainda não sabe muito bem sobre o que gostaria de escrever, pois corre o risco de se gastar energia como uma narrativa que irá abandonar por não se identificar com ela. Outro exercício interessante, para o caso de você não gostar de escrever contos, é criar resumos de enredos que você gostaria de trabalhar em uma novela ou romance. Pense em sinopses dos mais variados subgêneros, escreva uma romântica, uma de terror, uma de suspense e uma de fantasia. Em qual delas a sua criatividade fluiu mais? Os personagens que você gostaria de trabalhar melhor estão onde? De qualquer maneira, escolher um gênero no começo da sua carreira não significa que você irá escrever sobre ele o resto da vida. O escritor é um profissional plural e você pode mudar de ideia sempre que achar pertinente. Você é livre para escrever e isso é uma das coisas mais fantásticas sobre ser escritor. E aí? Já sabe o que quer escrever? Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

Continue Reading