Bastidores

Mais aqui, menos acolá

Ser mais quem eu sou e menos quem eu gostaria de ser. Perdi muito tempo olhando para quem eu queria ser. Não de um jeito inspirador, como quem olha para uma estatúa e pensa: eu queria ser bom o bastante para merecer ter uma estátua, mas de um jeito fantasioso, infantil, como quem olha para um personagem de desenho animado cheio de poderes. Quero olhar mais para quem eu sou e para o que posso fazer a partir disto aqui. Jogar a régua fora, esquecer as métricas universais; meu caminho é só meu. Às vezes é cheio, às vezes tenho que abrir a mata fechada a machadadas, mas é meu. Olhar mais para o relógio e menos para o calendário. Um mês não é quase nada, mas até às 16h dá para fazer bastante coisa, é só reparar. Meu tempo também é só meu. Ser grata, humilde, realista. A vida nas revistas está a uma gota de chuva de se desintegrar. Gostou do meu conteúdo? Inscreva-se e não perca nenhuma novidade. indicates required Email Address *

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Estética, poesia e avós

Algumas pessoas nascem com a alma naturalmente poética. Por ‘naturalmente” eu quero dizer sem investir tanto esforço a ponto de ficar artificial, sem autenticidade e humanidade. Falo da avó que cuidava da flor mais simples do quintal, aquela que nasce em qualquer canto, e não do universitário que faz dois riscos tortos na face e chama de arte.  Penso nas referências estéticas dessa avó sem Pinterest e sem Instagram com filtro do Vsco Cam. Ela achava uma coisa bonita e ficava lá olhando. No máximo, fotograva com uma câmera analógica, mas só se realmente valesse a pena, para não gastar o filme. Talvez foi assim que surgiram as fotos de vó com plantas. Minha avó tinha um quintal muito bonito. Era bem verde, com coentro, babosa e umas florezinhas coloridas. Lá no final, um pé de juçara. Minha avó sabia mexer na terra e isso fazia toda a diferença. Se ela tivesse um perfil no Pinterest, seria muito aesthetic. Ela tinha uma estante vintage de cor escura e um porta-joias com a cabeça de uma bailarina. Tudo muito caro se fosse vendido hoje no Mercado Livre. Naquela época, bugiganga. O cabelo da minha avó era ondulado e brilhoso, e tudo o que ela usava era um creme amarelo da Neutrox. Ela quase sempre saía com um conjunto comfy e combinando. Acho que nunca a vi com muitos acessórios, no máximo um brinco. Minimalista.  Sei lá, minha avó tinha um bom senso estético. Acho que tudo que ela fazia era observar. Gostou do meu conteúdo? Inscreva-se e não perca nenhuma novidade. indicates required Email Address *

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Bastidores

Uma questão de sorte

A Lindsay Lohan faz um filme muito bonitinho em que a personagem principal, Ashley, é uma baita de uma sortuda que depois de beijar um grande azarado troca de sorte com ele. Antes disso acontecer, em um dia de chuva, Ashley sai de casa e o porteiro do seu prédio a espera com um guarda-chuva na rua enquanto pede um táxi. Assim que ela põe os pés na rua, o céu abre e o dia cinza se transforma em um lindo de sol. Lembrei-me dessa cena ao ler em 1 Timóteo 6:8 que se temos alimento e vestuário, contentemo-nos com isso. Mais do que um impulso ao comodismo, pensar que em tudo Deus nos provê tira metade da ansiedade que paira sobre nós – quiçá toda. Até mesmo aqueles desprovidos de bens materiais estão assistidos se os que estão ao seu redor têm o bastante para dividir. Leia também Uma beleza calculada Se a sorte é o mesmo que Providência, a cena em que Ashley pode contar com um gentil porteiro, e também é presenteada com o céu limpo, é um ótimo exemplo. Ela está amparada, não precisa ter com o que se preocupar, nem mesmo se irá chegar ensopada no trabalho. E, de fato, não se preocupa. Tanto que responde “Eu preciso mesmo de um guarda-chuva?”, quando o porteiro questiona se ela irá sair de casa sem um. Tudo vai dar certo. Quando Jake rouba sua sorte com um beijo, ele passa a ser o contemplado com tantas bençãos enquanto ela irá passar por maus bocados, igual a qualquer um de nós, com dias de sol e dias de chuva. Ainda assim, ela não está só, pois Jake está habituado aos azares do cotidiano e acaba sendo seu par. Ela continua com sorte, afinal. Esse nome civil da Providência.

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