Todos nós que crescemos com computadores de mesa e internet discada sabemos que isso aqui passou de um mundo novo e interessante para um quase lamaçal de críticas, ofensas e insalubridade. Por isso, é difícil achar um espaço online onde você possa colocar uma cadeira de praia e apenas observar a vista. Um desses poucos lugares é o Pinterest (se quiser me acompanhar por lá é só clicar aqui), uma rede social de fotos bonitas e comentários – muito embora eu já tenha aberto minha aba de comentários e encontrado muita gente esbravejando lá por conta de um pin meu. O Pinterest é um oásis em meio ao caos urbano…
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[Conto] Acendedora de Lampiões
Uma vez minha avó me disse: “Se não procurar acordar pra vida, tu vai viver de acender lampião pros outros”. Ela viu numa novela e achou curioso uma pessoa cuja função era sair de poste em poste iluminando a rua. Achou um pouco triste também. Disse-me isso quando eu tinha lá meus dezesseis anos e voltei da rua entrando sorrateira pela porta da cozinha. “Cadê tua irmã, hein?”, mamãe perguntou, pegando-me desprevenida. “Sei não”, menti. “Não sabe ou não quer dizer?? Eu quero é saber de Marcinha se agarrando com o filho de Tonho. Vocês acham que eu não sei das coisas aqui dentro de casa. Sem vergonhice dessa” –…
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Charlotte e Mr. Collins: como abrir mão do romantismo pode ser uma boa decisão
Em Orgulho e Preconceito, o casal Mr. Darcy e Elizabeth Bennet arrancam suspiros há mais de duzentos anos. Ele, um homem arisco por fora, porém gentil e cuidadoso por dentro, elegante, culto e com uma boa fortuna. Ela, romântica, não ingênua, inteligente, com bons modos e ideias firmes. Juntos, descobrem um amor capaz de superar as mais sólidas más impressões. Mas há outro casal nessa história que sempre me chamou atenção, tanto no livro quanto no filme. Trata-se de Mr. Collins e Charlotte Lucas, e é a partir da história deles que eu vou falar como abrir mão do romantismo pode ser uma boa decisão. Mr. Collins é primo das…
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Há sempre um bilhete para este trem
Uma frase de Sully Prudhomme diz assim: “Talvez não temamos a morte porque o tempo se compõe de uma série de instantes infinitamente curtos durante os quais estamos certos de viver”. Esses dias, a morte passeou entre pessoas conhecidas e foi como aquele aviso de cobrança que chega embaixo da sua porta depois de você muito ignorar as dívidas não pagas. Um lembrete: “não é porque você finge que eu não existo, que eu não estou aqui”. De todas os fatos certeiros da vida, a morte é o mais confirmado, e, curiosamente, o mais ignorado e o mais temido. Ao mesmo tempo em que se morre de medo de morrer,…
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3 livros que previram o futuro
Livros de ficção científica não raro usam universos futuristas para discorrer sobre problemas sociais. Tecnologias avançadas, tragédias apocalípticas, vidas no espaço, em outros planetas, ou ainda sistemas ditatoriais, são alguns elementos que costumamos ver nessas narrativas. Certamente, você já deve ter lido ou ouvido falar de vários deles, mas dos livros lançados há muito tempo, quantos deles realmente acertaram em suas previsões? Confira 3 livros que previram o futuro. Admirável Mundo Novo (1932) Na Londres de 2540, a promiscuidade é incentivada, a religião abolida e a ciência usada para domínio das massas. A Bíblia e outros livros cristãos são proibidos e a literatura clássica tida como ultrapassada a ponto de…
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[ Conto ] Depois do horizonte não dói
Quando a moeda caiu no mar estavam os dois dentro de uma canoa virada para o horizonte. Ele ainda tentou apanhá-la de volta, mas muito rapidamente o metal rodopiou entre as pequenas ondas e afundou.“Era a última”.“Tudo bem”.“Compro outra para você na volta”.“Não importa, é só uma moeda”.“Uma moeda personalizada”, ele tentou parecer animado. “Deveríamos ter guardado todas na mochila. Foram caindo uma por uma, que coisa”.“Precisamos voltar, vai anoitecer muito em breve”.“Temos tempo”.Ele fixou o olhar nela, mas ela se manteve olhando para longe. O balanço calmo das ondas fazia os dois subirem e descerem lentamente, quase flutuando.“Olhe para mim”.“Eu consigo olhar para o sol e não chorar, não…
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Como fazer marcações durante a leitura
O processo de fazer uma leitura ativa – ou seja, uma leitura onde você não só entende o que está escrito como interage com o texto – é de extrema importância para aperfeiçoar o aprendizado e contribuir com a memorização. Nesse artigo estão algumas ideias de como fazer marcações durante a leitura e você pode aplicar em estudos acadêmicos, estudos livres e livros literários. Materiais Eu recomendo recursos analógicos, mas se você é cem por cento da galera do digital pode usar aplicativos de anotações como Evernote, Notion, Google Keep ou o velho e bom Word, desde que você mantenha um nível de organização em qualquer um deles. No caso…
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3 poemas de Augusto dos Anjos
Confesso que Augusto dos Anjos é um nome que só me lembra o ensino médio e as aulas de literatura, e por mais que eu gostasse da disciplina, poucos foram os autores que continuaram a despertar meu interesse depois da escola, entre eles Fernando Pessoa e Cecília Meireles. Porém, sabendo que Augusto dos Anjos é um dos grandes, resolvi ler. Tive bastante dificuldade com o estilo, o vocabulário rebuscado e as palavras estranhas, que me fizeram ir e voltar várias vezes nas linhas até pegar mais ou menos o contexto. Por outro lado, quando algum poema me tocou, aconteceu de maneira bem lúcida, como se eu e o poeta tivéssemos…
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[Resenha] O Sol Mais Brilhante – Adrienne Benson
Sinopse Leona, Simi e Jane são três mulheres de origens diferentes que têm suas vidas entrelaçadas no Quênia em uma jornada em busca de realizações pessoais e do sentimento de pertencimento. Cada uma com seu passado – às vezes tentando fugir dele, às vezes tentando entendê-lo – elas seguem adiante e a história ecoa na geração seguinte, onde suas filhas se aproximam e vivem suas próprias atribulações. Resenha Leona, uma antropóloga, saiu dos EUA para pesquisar os massai, uma tribo tradicional queniana, e estudar seus costumes e tradições. Em Nairóbi, ela conhece John, um habitante local com raízes inglesas. De uma noite sem compromisso onde eles sequer sabiam o nome…
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[Resenha] Um Estudo em Charlotte – Brittany Cavallaro
Sinopse Charlotte Holmes e James Watson são descendentes do detetive mais famoso da Inglaterra e seu fiel amigo. Colegas de classe no ensino médio, os dois acabam suspeito do assassinato de um aluno e para provar suas inocências precisam encontrar o verdadeiro culpado. Durante a investigação Watson precisa lidar com a paixão que sente pela peculiar Holmes. Resenha Posso começar falando de como me desagrada esse fetiche em fazer de Holmes e Watson um casal. A primeira vez que me deparei com tal disparate foi na série Elementary, uma versão americana e moderna de Sherlock Holmes, onde Joan Watson (Lucy Liu) é uma espécie de dama de companhia barra terapeuta…





















