Tenho uma feliz memória de uma professora que tive no jardim de infância porque certo dia, mais de vinte anos depois que eu não era mais um mini ser humano de cabelos loiros e cacheados, ela chegou até mim e disse “Eu guardei o primeiro livro que você escreveu, na minha turma”, e me mostrou um livro fininho, com cerca…
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#22 O que a pandemia levou de mim
A pandemia roubou de mim o que roubou de muitas pessoas: tempo. Naquele ano de 2020 eu era uma garota empolgada, com muitos planos e pouquíssimas queixas sobre a própria vida. No ano de 2023, eu já era uma mulher frustrada e sem ânimo. É claro que o vírus nada tem a ver com minhas emoções, mas ter passado três…
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#21 Como é ser feliz?
Quando você é criança e escuta pela primeira vez que os personagens dos contos de fadas foram felizes para sempre você imagina que a partir dali se estenderá uma condição permanente de júbilo. Felizes para sempre… sempre… nunca mais serão tristes, apenas felizes, para sempre. A felicidade, no entanto, pode durar menos que uma xícara de chá. Você prepara um…
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#20 A literatura e a minha vida
Certo dia, perguntaram-me se a leitura era o meu passatempo e eu respondi que não, que a leitura fazia parte de quem eu era e que eu considerava como passatempo outras atividades, como ver filmes, pedalar na praia ou tomar um café em uma franquia ruim de shopping. Eu defendo que a leitura seja um pedaço da vida de qualquer…
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#19 A rotina como uma bússola
Aquela música do Chico Buarque começa assim Todo dia ela faz tudo sempre igual… e segue narrando o cotidiano de um casal comum, uma vida simples e rotineira. Gosto dessa música porque rotina não é uma coisa ruim. Planejar o que vou fazer no dia não me passa a sensação de controle, mas de segurança. Uma vida desorganizada é um…
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#18 Meninas-Tumblr
Eu amo internet e amo escrever. Tive conta em todas as plataformas de blog que surgiram por aí e sempre experimento uma rede social nova, ainda que acabe não me agradando para ficar com ela. O que sempre me encheu os olhos, porém, foi espaços como o Blogspot, o WordPress e o Tumblr. A era Tumblr foi encantadora para quem…
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#17 Podemos tocar o infinito
Desde muito jovem nutri um interesse pelo incomum; não o incomum esquisito, grotesco, e sim o incomum como sinônimo de infrequente, ou, em outras palavras, aquilo sobre o qual não se falava muito, ou não se falava de jeito nenhum. As pessoas ao meu redor costumavam consumir os mesmos conteúdos, se interessar pelos mesmos assuntos, desejar os mesmos desejos e…
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#16 Trinta anos e uma biografia
Biografia é um gênero literário que nunca me atraiu. Certo dia, por pura curiosidade, comecei a ler a biografia do Assis Chateaubriand, o magnata brasileiro das comunicações, um personagem do qual eu tinha ouvido falar por alto e por quem não nutria nenhum tipo de interesse. Continuo não nutrindo, mas me vi fascinada pelo texto de uma biografia. Os fatos…
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#15 Os sonhos são feitos de quê?
Numa determinada sessão de terapia, a psicóloga perguntou quais sonhos eu tinha e eu respondi que nenhum, zero – nada inflava meu peito. Otimista que era, ela me disse que não se podia viver assim e pediu que eu elencasse cinco sonhos em uma folha de papel. A muito custo, listei quatro, todos tão aleatórios quanto dizer que um urso…
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#14 Me dê dez anos, mas eu escolho quais dez
Há dez anos, eu achava que tinha todo o tempo do mundo e, de repente, o tempo passou e eu não vi. Pego-me olhando para trás, pensando o que eu fiz neste intervalo e me vem uma sensação de desperdício, como se tivesse deixado uma torneira aberta e me distraído com qualquer coisa lá fora. Quando dei por mim, estava…