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[ Releitura ] O Apanhador no Campo de Centeio – J. D. Salinger

Esse é um texto que eu escrevi em 2018, primeira vez que li O Apanhador no Campo de Centeio (e me apaixonei!). Cinco anos é suficiente para você revisitar obras e encará-las com um outro olhar. Dito isto, o texto antigo continua válido, mas eu gostaria de acrescentar outras percepções. A primeira delas é que eu pude ver com mais clareza as peculiaridades que caracterizam a adolescência de Holden. Ele é expulso da escola – de novo – e fica perambulando pela cidade até chegar o dia em que inevitavelmente terá que enfrentar os pais. Para ele, a expulsão não é tão grave assim, pelo contrário, quanto menos tempo pudesse passar com aqueles cretinos (nas palavras dele), melhor.  Nesse meio tempo, ele faz coisas de “adulto” para talvez tentar se sentir menos errado. Uma coisa meio “eu cuido da minha própria vida, para quê escola?”. Mas a realidade é que ele não é tão crescido assim e isso é lançado na sua frente o tempo todo. Leia também [Resenha] Howards End – E. M. Forster Se ele vai de bar em bar, alguns garçons não querem atendê-lo por ser menor de idade; se ele dá em cima de alguma mulher, ela acha o papo dele esquisito; se ele contrata uma garota de programa, desiste em cima da hora por ser virgem. As únicas vezes em que ele consegue se desenrolar, é na companhia de outros adolescentes, por mais que ele não queira. Entrando na questão familiar, Holden dá trabalho, mas não chega a ser um jovem problemático. Ele tem uma boa relação com os irmãos e ainda sofre a morte de um deles. Ele pensa em fugir de casa, mas quando a irmã caçula cisma que vai junto, Holden percebe que às vezes a irresponsabilidade respinga em quem não tem nada a ver com a história. Você também já quis fugir de suas obrigações, já quis largar a escola, já quis fugir de casa, já aprontou, já se sentiu sozinho, já chorou, já se sentiu um merda, porque isso é ser adolescente. Agora vejam que interessante: a única coisa que faz Holden Caulfield se sentir bem é ser um possível apanhador no campo de centeio. Quando a irmã pergunta “Do que você gosta? Você não gosta de nada, está sempre reclamando de tudo”, ele responde que se garotinhos brincassem em um campo de centeio, ele gostaria de ser a pessoa que fica na beira do princípio cuidando para que ninguém caia. Ora, o que curaria todas as angústias de Holden – e de todo mundo que quer deixar de ser mentalmente jovem – é ser útil, amadurecer e não viver só para si e suas demandas. O outro ponto, e esse é o que me agrada mais, é que naturalmente eu sou alguém um pouco resistente a conteúdo de humor (livros, filmes…). Não consigo achar graça na maioria das coisas que se propõem a ser de comédia, e embora essa não seja exatamente a intenção de O Apanhador no Campo de Centeio, é o único livro até hoje que me fez dar sinceras gargalhadas. O humor ranzinza, sarcástico e debochado de Holden é fenomenal. Eu vou e volto no texto várias vezes e rio de verdade. É maravilhoso. “Esse que é o problema todo. Não se pode achar nunca um lugar quieto e gostoso, porque não existe nenhum. A gente pode pensar que existe, mas, quando se chega lá e está completamente distraído, alguém entra escondido e escreve ‘Foda-se’ bem na cara da gente. É só experimentar. Acho mesmo que, se um dia eu morrer e me enfiarem num cemitério, com uma lápide e tudo, vai ter a inscrição ‘Holden Caulfield’, mais o ano em que eu nasci e o ano em que morri e, logo abaixo, alguém vai escrever ‘Foda-se’. Tenho certeza absoluta”. Gostou do meu conteúdo? Inscreva-se e não perca nenhuma novidade. indicates required Email Address *

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5 trechos de Grandes Esperanças

Cheguei ao fim da minha releitura de Grandes Esperanças e foi emocionante reencontrar e acompanhar novamente a trajetória de ascensão financeira e redenção moral de Pip. Uma narrativa que encanta pela complexidade de seus personagens e por envolver amor, humor, crítica e boas lições para a vida. Destaco agora 5 trechos de Grandes Esperanças que farão você ter vontade de ler, ou reler, o livro. “No pequeno mundo em que vivem as crianças, seja quem for que as crie, nada é percebido com tanta intensidade, e sentido com tanta intensidade, quanto a injustiça. As injustiças a que a criança é exposta podem ser pequenas; mas a criança é pequena, e seu mundo é pequeno, e seu cavalo  de balanço é tão alto, guardadas as proporções, quanto um Irish hunter de ossos grandes. No meu íntimo, eu vivia, desde a mais tenra infância, um conflito perpétuo com a injustiça. Eu sabia, desde que aprendi a falar, que minha irmã, com sua coerção caprichosa e violenta, era injusta comigo. Eu nutria a convicção profunda de que ter ela me criado com a mão não lhe dava odireito de me criar aos cachações. Em meio a todos os castigos, vexames, jejuns e vigílias, e outras penitências, eu nutria essa certeza; e é a intensa convivência com ela, de um modo solitário e desprotegido, que me parece ser a principal causa de eu ter-me tornado moralmente tímido e muito sensível”. Leia também Grandes Esperanças: sra. Havisham e o vício pela dor “Foi para mim um dia memorável, pois ocasionou grandes mudanças em mim. Mas é assim com todas as vidas. Imagine que um determinado dia fosse eliminado de sua vida, e pense em todas as consequências que isso teria sobre o resto dela. Para e pensa, tu que me lês, por um momento, na longa cadeia de ferro ou outro, de espinhos ou flores, que jamais te teria cingido, não fosse a formação do primeiro elo num dia memorável”. “Deus sabe que não há por que nos envergonharmos de nossas lágrimas jamais, pois elas são a chuva que cai sobre a poeira da terra que nos cega, descendo sobre nossos corações endurecidos”. “No entanto, aquela sala era tudo para mim, porque Estella estava dentro dela. Pensei que, em sua companhia, eu teria sido feliz lá para sempre”. “‘Meu nome está na primeira folha. Se puderes escrever embaixo do meu ‘Eu a perdoo’, ainda que muito depois de meu coração partido virar pó – eu te peço que o faça’”. Você já leu Grandes Esperanças? O que achou? Deixe nos comentários

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Grandes Esperanças: sra. Havisham e o vício pela dor

Grandes Esperanças é um clássico da literatura mundial e faz parte do meu projeto de releituras em que eu revisito não só o enredo como tento perceber e interpretar melhor as nuances da narrativa, principalmente dos clássicos. Se você ainda não leu essa obra prima de Charles Dickens, neste artigo não há spoilers, mas eu sugiro que você leia primeiro o livro e depois acesse meu texto. Pip é um menino órfão que vive em uma aldeia com a irmã, uma mulher violenta, e com Joe, seu marido, um homem bastante gentil e amigável. Um dia, Pip é levado até a casa da sra. Havisham, uma senhora rica da cidade, para brincar. Não sabendo quais brincadeiras seriam essas, Pip sai assustado de casa, pensando no porquê desse convite inusitado, mas a figura com a qual se depara é mais assustadora do que qualquer ideia que ele pudesse imaginar. Em algum dia de sua vida, a sra. Havisham foi noiva e em algum outro dia, abandonada no altar, episódio que a levou a viver sua mágoa da maneira mais literal e performática possível, qual seja, permanecer vestida de noiva e deixar tudo ao seu redor exatamente do jeito que estava quando foi rejeitada. “Porém vi que tudo no meu campo de visão que era para ser branco fora branco há muito tempo, e perdera o brilho, e estava desbotado e amarelado. Vi que a noiva com seu vestido de noiva havia fenecido tal como o vestido, e como as flores, que não havia nela nada que brilhasse senão os olhos fundos”. A intenção da sra. Havisham em deixar tudo intocável era manter, prolongar, a dor o mais viva possível, como que para não se esquecer de que um dia foi vítima. Contudo, na minha percepção, vejo que tanto quanto não esquecer, ela queria também punir alguém pelo que ela viveu. Quem? O ex-noivo? Ela mesma? As pessoas ao redor? Em primeiro lugar, percebo que quando se coloca em uma situação extravagante, a personagem tenta de certa forma chamar a atenção para si, como se fosse inaceitável viver aquela dor sozinha, trancada em um quarto. Ela quer que as pessoas saibam que ela está naquela casa escura, que ela não superou; quer que a vejam amarga, cruel e desacreditada. Leia também [Resenha] Howards End – E. M. Forster Em tempos modernos, não seria difícil imaginá-la se expressando no story com músicas e publicações sugestivas sobre sua dor. “‘Sabes onde ponho a mão, aqui?”, perguntou ela, pondo as mãos, uma sobre a outra, no lado esquerdo do peito.‘Sei, sim, senhora’.‘Onde estou pondo a mão?’‘No seu coração’.‘Partido!’” Além de manter suas feridas abertas, a sra. Havisham se empenha em desestimular as pessoas sobre o amor – muito parecida com aquela amiga que está sempre repetindo por aí que nenhum homem presta. Junto com ela, vive Estella, uma menina mais ou menos da idade de Pip, e por quem ele se encanta desde a primeira vez que a vê. A sra. Havisham, por sua vez, desde já estimula Estella a partir o coração de Pip. “‘[Estela] Por que não choras de novo, criaturinha desgraçada?’‘Porque nunca mais vou chorar pela senhora’, respondi. O que, creio eu, foi uma mentira deslavada; pois por dentro eu estava chorando por ela naquele exato momento, e sei o que sei da dor que ela me proporcionou depois”. Outro símbolo da ruína física e psicológica da sra. Havisham é o salão onde um dia seria a festa de casamento. No dia do seu aniversário, ela leva Pip até lá e apresenta a ele um lugar jogado às baratas, aos fungos e aos ratos. O bolo, ainda presente em cima da mesa, é o sinal maior de como alguém pode se deixar consumir e não ter coragem de se desfazer daquilo que lhe faz mal. “‘Neste dia do ano, muito antes de nasceres, esse monte de podridão’, apontando com a bengala a pilha de teias de aranha na mesa, mas sem tocá-la, ‘foi trazido aqui. Ele e eu decaímos juntos. Os ratos o roeram, e dentes mais afiados que os dos ratos me roeram”. Penso eu que essa obsessão da Sra. Havisham em permanecer naquele estado – até mesmo os ponteiros dos relógios foram parados na exata hora em que ela foi abandonada – é também uma forma de comodismo sentimental. Por mais saudável que fosse superar a mágoa, seria um passo doloroso a se dar e ela precisaria deixar de se colocar na posição de vítima depois de tantos anos, deixar de pensar sobre o assunto e encarar as pessoas com a cabeça erguida. Durante uma visita, uma mulher diz a sra. Havisham que ela não está muito bem, e eis que ela responde “Sim! Estou só pele e osso”. Na cena do salão, ela diz a Pip “É aqui que vão me deitar quando eu estiver morta, eles virão aqui me ver”. Transformar sua vida em um espetáculo é uma maneira de não ter que se esforçar para viver uma realidade diferente. Não é muito distante de quando insistimos em ficar presos a memórias ruins, a episódios humilhantes ou àquela narração aos outros sobre a vez em que fomos injustiçados. Raiva é um sentimento muito fácil de fazer nascer e de se alimentar, principalmente se podemos espalhá-la, fazendo os demais sentirem repulsa pelo mesmo objeto que sentimos, e dando-nos a falsa sensação de que aqueles pequenos instantes de vingança podem se transformar em uma vitória sobre o provocador de nossas mágoas. Gostou do meu conteúdo? Inscreva-se e não perca nenhuma novidade. indicates required Email Address *

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Charlotte e Mr. Collins: como abrir mão do romantismo pode ser uma boa decisão

Em Orgulho e Preconceito, o casal Mr. Darcy e Elizabeth Bennet arrancam suspiros há mais de duzentos anos. Ele, um homem arisco por fora, porém gentil e cuidadoso por dentro, elegante, culto e com uma boa fortuna. Ela, romântica, não ingênua, inteligente, com bons modos e ideias firmes. Juntos, descobrem um amor capaz de superar as mais sólidas más impressões. Mas há outro casal nessa história que sempre me chamou atenção, tanto no livro quanto no filme. Trata-se de Mr. Collins e Charlotte Lucas, e é a partir da história deles que eu vou falar como abrir mão do romantismo pode ser uma boa decisão. Mr. Collins é primo das irmãs Bennet e o primeiro na linha de herança por ser o parente homem mais próximo do pai de Elizabeth. Durante uma visita, ele pede nossa mocinha em casamento e tem sua proposta recusada sem hesitação. Acontece que Mr. Collins queria muito, muito, casar com alguém, e encontra em Charlotte, amiga de Elizabeth, outra candidata. Essa, por sua vez, aceita o pedido de prontidão, e já sabendo que será criticada, aproxima-se cheia de dedos de Elizabeth e conta a novidade, recebendo como resposta uma clara desaprovação. Charlotte, contudo, reage, a meu ver, de maneira bastante sensata e madura. Na cena do filme ela diz: “Tenho 27 anos e nenhuma perspectiva. Sou um estorvo para os meus pais”. Na narração do livro: “Tinha 27 anos e jamais fora bela. Sabia portanto que tivera sorte”. Num contexto em que uma mulher não tinha como prover sozinha o seu sustento, suas únicas opções eram receber uma boa herança dos pais ou se casar. Charlotte, dada sua condição – era considerada “velha” – não podia, e nem queria, se dar ao luxo de continuar esperando por um príncipe encantado, algo totalmente fora da realidade “Sem ter grandes ilusões a respeito dos homens ou do matrimônio, o casamento sempre fora o seu maior desejo; era a única posição tolerável para uma moça bem educada, de pouca fortuna”. A forma como Elizabeth vê a situação, e até como a narrativa a apresenta para nós, é como se a decisão de Charlotte fosse digna de pena, mas eu sempre vi por um outro ângulo. Eu vejo como alguém que resolveu uma pendência de maneira prática. Mr. Collins, embora fosse sem graça e vaidoso, não era exatamente um qualquer. E também não estava procurando um grande amor – tanto que fez dois pedidos de casamento em menos de três dias – mas uma esposa com quem pudesse compartilhar a vida e a construção de uma família, algo para o qual ele já vinha se preparando, inclusive, financeiramente. Exatamente o que Charlotte precisava. “Bem sabe que não sou romântica. Nunca fui. Desejo apenas um lar confortável. E considerando o caráter de Mr. Collins, as suas relações e a sua situação na vida, estou convencida de que tenho as mesmas possibilidades de ser feliz no casamento que a maioria das mulheres”. Essa fala de Charlotte pode parecer materialista e superficial, mas se observarmos com cuidado veremos que nenhum dos dois está interessado em romance de novela (ou de livros), mas em encontrar um bom par para formar uma família. E ainda assim, Charlotte acredita que pode amá-lo e ser feliz. Leia também [Resenha] Os Sofrimentos do Jovem Werther – Goethe Nessa circunstância, eu acredito que os dois se propuseram a assumir um compromisso e honrar com ele, sendo úteis um ao outro e servindo com dignidade à família que formarão. É muito diferente de Elizabeth, que está procurando, querendo, suspirando, por um amor. Por isso, não gosto de sua atitude naquela cena, porque Elizabeth tira a situação de Charlotte pela dela. Em outras palavras, ela espera que a amiga ignore suas particularidades e aguarde por um partido melhor, ainda que o menos interessante apresente características fundamentais para ela e que um pretendente supostamente mais adequado esteja bastante fora do seu horizonte. Trazendo para a realidade, para mim é impensável que uma mulher adulta coloque suas expectativas amorosas em Mr. Darcys, como se nenhum outro homem abaixo desse ideal servisse para formar uma família, quando, na verdade, é o próprio personagem de Mr. Darcy que não existe na vida real (ou pelo menos é raríssimo de encontrar). Tanto não existe que muitos homens se aproveitam do ideal hollywoodiano para fingirem ser o que não são e conquistarem mulheres com ações baratas de comédias românticas que não dizem muita coisa, são apenas bonitinhas. Quanto mais uma mulher espera por Mr. Darcy sem defeitos, mais ela está sujeita a se deixar enganar. O amor pode acontecer com um homem comum, que muito provavelmente não vai ser bonito, elegante, gentil, rico, inteligente e engraçado ao mesmo tempo. E isso está muito longe do “ficar com qualquer um / se contentar”; trata-se de saber quais características ela valoriza e de entender que príncipes encantados só existem nos filmes da Barbie e nos romances de Jane Austen. Gostou do meu conteúdo? Inscreva-se e não perca nenhuma novidade. indicates required Email Address *

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3 livros que previram o futuro

Livros de ficção científica não raro usam universos futuristas para discorrer sobre problemas sociais. Tecnologias avançadas, tragédias apocalípticas, vidas no espaço, em outros planetas, ou ainda sistemas ditatoriais, são alguns elementos que costumamos ver nessas narrativas.  Certamente, você já deve ter lido ou ouvido falar de vários deles, mas dos livros lançados há muito tempo, quantos deles realmente acertaram em suas previsões? Confira 3 livros que previram o futuro. Admirável Mundo Novo (1932) Na Londres de 2540, a promiscuidade é incentivada, a religião abolida e a ciência usada para domínio das massas. A Bíblia e outros livros cristãos são proibidos e a literatura clássica tida como ultrapassada a ponto de ninguém saber quem foi Shakespeare. Além da perseguição aos cristão ser uma realidade, Aldous Huxley de certa forma também previu o uso de antidepressivos, uma vez que em seu romance as pessoas usam pílulas para se verem livres de sentimentos como tristeza, frustração e mau humor. Leia também Como fazer marcações durante a leitura Fahrenheit 451 (1966) Numa sociedade em que livros são proibidos, o sonho dos personagens é adquirir a própria televisão de parede, que ao permitir uma espécie de imersão nas transmissões, se assemelharia à tecnologia 3D ou realidade virtual que temos hoje. As Viagens de Gulliver (1726) Em As Viagens de Gulliver, Jonathan Swift escreveu sobre Marte ter duas luas. Mais de 140 anos depois, em 1877, Asaph Hall descobriu que Marte tem mesmo duas luas. E você, qual livro publicado há muitas décadas você leu e descobriu ser uma bola de cristal certeira? Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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Como fazer marcações durante a leitura

O processo de fazer uma leitura ativa – ou seja, uma leitura onde você não só entende o que está escrito como interage com o texto – é de extrema importância para aperfeiçoar o aprendizado e contribuir com a memorização. Nesse artigo estão algumas ideias de como fazer marcações durante a leitura e você pode aplicar em estudos acadêmicos, estudos livres e livros literários. Materiais Eu recomendo recursos analógicos, mas se você é cem por cento da galera do digital pode usar aplicativos de anotações como Evernote, Notion, Google Keep ou o velho e bom Word, desde que você mantenha um nível de organização em qualquer um deles. No caso de usar métodos ancestrais (como eu costumo fazer) tenha em mãos cadernos, canetas, lápis, marca-textos, post-its ou marcadores de páginas. Nossa, tudo isso? Aí vai do gosto do freguês. Um simples lápis pode resolver tudo, mas também é possível combinar esses materiais usando critérios que irei explicar mais adiante. Também vai da sua escolha anotar no próprio livro ou em um caderno à parte. Contexto Na faculdade, no meu primeiro dia de aula, uma professora introduziu o assunto da disciplina e deu o seguinte conselho: “Antes de ler qualquer coisa, observem em que ano aquilo foi escrito. Vai fazer toda a diferença na sua leitura e interpretação”. É claro que ela estava se referindo aos mil e um textos que leríamos dali em diante (sou formada em Jornalismo), mas eu nunca esqueci dessa orientação porque ela serve para absolutamente qualquer leitura e faz todo o sentido. Por isso, antes de começar olhe a ficha catalográfica e veja a data da primeira edição. Seja livros acadêmicos, de não ficção ou literários, contextualize o texto e tenha um olhar adequado e coerente à intenção e contexto do autor. Leia também Como adquirir o hábito da leitura Se o seu livro literário foi escrito em uma época anterior à do autor (no caso dele escrever algo histórico, por exemplo), pesquise um pouco sobre esse ano/século. Se estiver fazendo suas anotações no próprio livro, circule, se for no caderno ou bloco de notas, faça um cabeçalho com título, autor e data de publicação. Destaques A maneira de destacar é livre, mas é importante que tenha um critério. Vamos supor que você irá usar alguns dos materiais que eu citei acima e fará suas marcações no livro. Sugestão: Marca-texto: você já ouviu falar em color code (ou código de cores)? Nada mais é do que atribuir um significado para cada cor e usá-lo nas suas marcações. Por exemplo: amarelo = opinião do autor, azul = citações de outros, vermelho = partes com as quais você discorda. No caso de usar color code em livros literários, o sistema pode funcionar mais ou menos assim: amarelo = trechos sobre o protagonista, verde = fala do antagonista, cor-de-rosa = pistas do crime. Quem determina os critérios é você, de acordo com o que você quer assimilar ou memorizar do livro. O objetivo é manter as marcações dentro de uma certa organização, onde, em um momento posterior de revisão, releitura ou consulta, você saiba exatamente o que significa cada trecho marcado. Lápis e caneta: sublinhado citações, tracejado para trechos chaves, asteriscos para palavras que você não sabe o significado. Você também pode usar colchetes, parênteses, círculos, setas e comentários nas margens. A caneta também pode ser usada com o critério color code. Conheça meus livros Post-it: se você não quer anotar nada no livro, mas também não quer andar com um caderno pendurado embaixo do braço, pode fazer as observações colando post-its nos cantos das páginas ou no fim dos capítulos. Post-its coloridos também servem para color code. Ah! Os marcadores de páginas são para você sinalizar as páginas onde fez anotações e ou marcações. No caderno ou bloco de anotações “Marcar livros para mim é um crime”. Ok, não vamos entrar nessa polêmica. Ter um caderno/diário de leituras é supimpa demais até para quem não se importa em riscar livros. Ali fica um registro do que você leu e aprendeu organizado em um só lugar, servindo como um material de ouro para consultas posteriores (e se você gosta de enfeitar, fica ainda mais lindo <3). Tá, mas o que escrever? Depende do seu objetivo, mas, no geral, não há necessidade de fazer um fichamento e copiar tintin por tintin os trechos dos livros. Anote ideias, conceitos, palavras-chaves e do lado ponha a referência da página. No caso de leituras literárias, registre o nome dos personagens importantes e o papel deles na narrativa. Se for um livro longo ou mais difícil de entender, faça linhas do tempo, estruture a jornada e anote também suas dúvidas, perguntas e observações pessoais. O que mais está chamando sua atenção? O que você achou de determinação ação? Qual o seu palpite sobre o assassino e por quê? Que pistas você identificou? O que você faria no lugar de personagem x ou y? Essas perguntas ajudam na interpretação e absorção da história. E se eu estiver lendo em ebook? Aqui temos facilidades e dificuldades. No Kindle, por exemplo, é possível selecionar palavras e ver o significado instantaneamente. Isso é fantástico. Assim como grifar textos e anexar anotações. Porém, pessoalmente, eu acho o sistema do Kindle um pouco lento para esse tipo de atividade, mas em um tablet ou celular pode funcionar melhor. Assim como em leituras por PDF. Há inúmeros aplicativos com recursos de marcação, comentário, hiperlink, etc. De qualquer modo, eu sugiro que no caso de leituras digitais você faça suas anotações em um caderno ou bloco de notas à parte. As ideias acima são sugestões e você pode fazer do modo mais simples até o mais enfeitado, desde que haja um critério e uma organização para que sua leitura seja eficiente. O inegável é o quanto ler ativamente muda o seu processo de interação com o texto e por isso conversamos hoje sobre como fazer marcações durante a leitura, um hábito que sem dúvidas vai elevar a sua relação com os …

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[Resenha] A Metamorfose – Franz Kafka

Sinopse Gregor Samsa era um homem comum. Filho mais velho de uma família de quatro pessoas, caixeiro-viajante, pagador de dívidas e um funcionário compromissado. Um dia, Samsa acorda e está se transformando em um inseto. A partir desse evento sua vida profissional, social, e seu desenvolvimento interior passam por profundas mudanças. Resenha O fato de Gregor estar se metamorfoseando em uma espécie de barata é apenas um detalhe nessa história. Franz Kafka trabalha essa narrativa de maneira tão genial que isso parece um evento possível de acontecer com qualquer um de nós. Como acordar e perceber que está com catapora. Seria um dia comum de trabalho se no lugar das pernas o caixeiro não tivesse agora patas fininhas e suas costas não tivesse se transformado em um casco duro e difícil de transportar. Gregor estranha e, conforme o tempo vai passando, começa a se preocupar com as impossibilidades de ir trabalhar daquele jeito. Leia outras resenhas Aqui Kakfa inicia sua crítica ao papel do homem dentro do sistema capitalista. A confirmação vem quando o chefe de Samsa aparece em sua casa para saber o motivo da sua falta no trabalho. Um disparate um homem deixar de ir trabalhar porque virou um inseto, vejam só. Até então o homem metamorfoseado ainda não aparecera para ninguém em casa, e no instante em que todos se dão contam do motivo de Gregor estar trancado dentro do quarto, vemos a metamorfose acontecer no resto da família. Em primeiro lugar, Samsa já não é mais uma força de trabalho possível de ser aproveitada, portanto metade do seu valor se perde. Seu dinheiro sustentava a casa e sem ele a família precisa se mexer para prover o sustento por sua própria conta. O pai, já aposentado há alguns anos, volta a trabalhar, a irmã, até então criada no zelo e no mimo, passa a fazer alguns trabalhos, e em pouco tempo os dois e a mãe viram funcionários da sua própria casa, que passa a receber hóspedes e vira uma espécie de pensão. À medida que a família vai dependendo cada vez menos de Gregor, os cuidados e auxílio também diminuem. Ele deixa de ser um filho para se tornar um estorvo dentro de casa. Um peso, um fardo para seus pais e irmã. Isso vai consumindo sua mentalidade e sua vontade de se isolar, de sumir, só aumenta. Não é difícil testemunhar episódios como esse ao nosso redor. Tendemos a excluir o que não nos acrescenta, principalmente quando se trata de pessoas. É muito simples deixar de dar atenção, de amar, de cuidar, e de se importar. Podemos não suportar alguns indivíduos dentro de nossas casas, ou no nosso contexto, mas enquanto eles nos oferecem algo de útil, conseguimos aturar. Quando isso rompe nosso esforço não faz mais sentido. Ler A Metamorfose pode gerar um sentimento de revolta. Olhamos para aquela família e pensamos “Como podem ser capazes?” assim como avaliamos episódios de maus tratos com idosos, deficientes intelectuais ou físicos, entre outras condições. Mas estaremos nós tratando nossos entes com a atenção devida? Cada um carrega em si um defeito repugnante, um erro desastroso ou uma característica deplorável. O que fazemos com isso? Quem de nós está ileso? A narrativa de Kafka é direta e cirúrgica. Não tem muitos floreios, descrições ou cenas de enfeite. Vai direto ao ponto. Toca logo na ferida e gira o dedo dentro até você gritar. E é assim que se cria uma história boa o bastante para se chamar de clássico. Sobre o autor Franz Kafka (1883-1924) foi um escritor tcheco de Literatura Moderna. Escreveu romances e contos e tratou de temas que criticavam a sociedade da época, em seus temas sociais, políticos e psicológicos. A relação conflituosa com o pai permeou boa parte de seus escritos, inclusive A Metamorfose. Morreu devido à complicações da tuberculose. Sobre o livro Título: A MetamorfoseAutor: Franz KafkaAno: 2013Editora: MelhoramentosPáginas: 96Avaliação: 4/5 Você pode encontrar esse livro clicando aqui Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos Esse artigo contém links afiliados, ao comprar através deles você contribui com o blog sem pagar nada a mais por isso. Muito obrigada!

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[Resenha] O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

Sinopse Heathcliff foi encontrado maltrapilho nas ruas de Liverpool e adotado por Earnshaw, proprietário do Morro dos Ventos Uivantes, um lugar propício a tempestades e vendavais. Bem tratado pelo pai adotivo, Heathcliff logo gera ciúmes no filho mais velho, Hindley, de quem terá o desprezo pela vida inteira. Por outro lado, a segunda filha, Catherine, se tornará sua amiga, confidente, e seu primeiro e único amor. E é por causa dela que Heathcliff seguirá rumo a uma vida de vingança e ódio. Atenção, esse texto contém spoilers. Uma longa história Essa história começa não com Heathcliff criança, mas bem adulto e já dotado de todos os traumas possíveis. Tudo começa quando o Sr. Lockwood aluga a Granja dos Tordos e resolve visitar seu dono, Heathcliff, um homem frio e antipático. Saindo de lá com a pior das impressões, resolve perguntar à empregada Nelly o que ela sabe sobre esse homem mal-encarado e de humor inacessível. Pela voz e narração de Nelly o leitor vai conhecer toda a história dessa família. Heathcliff pode lidar com os maus tratos enquanto Earnshaw viveu e o protegeu. Contudo, depois de sua morte Hindley levou a sério sua intenção de transformar a vida do cigano – como era chamado – em um inferno. Colocou-o no nível dos empregados e se empenhou em maltratá-lo do jeito que pode, sendo a amizade com Catherine o único consolo do garoto. Uma das provas da insignificância social de Heathcliff é que esse era seu nome e sobrenome. Ou seja, ele não era ninguém, nem mesmo um membro oficial da família. Catherine, mimada, bem criada, se afeiçoou a Heathcliff e nutriu por ele um sentimento genuíno, mas conforme a pressão de se casar foi ficando mais forte com a idade, ela reconhece que, mediante sua condição, casar com ele está fora de questão. Que vida o pobre Heathcliff poderia lhe proporcionar? Então surge Edgar Linton, herdeiro da Granja dos Tordos e um pretendente muito mais viável. Com a intenção, e motivação, de Catherine se casar com Linton, Heathcliff foge sem olhar para trás ou dar qualquer satisfação, voltando algum tempo depois com uma fortuna inexplicável e muita vontade de devolver aos habitantes da sua antiga casa tudo que ele sofrera durante os anos que vivera ali. Sua primeira ação é se casar com Isabela, irmã de Edgar, e depois se revelar um marido inescrupuloso, arrogante e profundamente desprezível. Isabela foge, grávida (guarde esta informação), e só temos notícias dela muito tempo depois. Nesse intervalo Catherine dá à luz a uma menina, Cathy, e morre logo em seguida. Parte em decorrência do parto, parte por consequência de levar uma vida que escolheu por conveniência. Sabe quem também teve um filho? O “adorável” Hindley, que se entregou ao jogo e à bebida depois da morte de sua mulher e afundou sua família em dívidas. Aqui Heathcliff não perde tempo e executa mais uma parte de sua vingança. Toma o filho de Hindley, Harenton, para si e o cria da mesma maneira que fora criado: com maus tratos, má educação, ignorância, e desprovido de quaisquer privilégios. Além de ter se aproveitado da situação de Hindley para comprar O Morro dos Ventos Uivantes. Ufa! Ainda tem mais coisa ruim nessa história? Claro que tem! Continue. Cathy, a filha de Edgar e Catherine, cresce com o pai e é superprotegida, sendo inclusive tolhida de desbravar os limites da Granja, o que causa grande interesse na garota em saber o que tem de tão ofensivo do lado de lá, sobrando para Nelly – sim, Nelly viveu nas duas casas e acompanhou tudo de perto – segurar as pontas de sua curiosidade. Lembram da Isabela? Ela criou Linton Heathcliff até a adolescência, quando morreu e seu filho foi morar com o pai nota dez que já sabemos quem é. Linton era um menino fraco de saúde e, olhem só, tinha a personalidade parecida com a de quem lhe deu seu sobrenome. Mas alguém seria páreo para o grande Heathcliff? Como uma das cartadas finais, nosso anti-herói obriga o filho a se casar com Cathy e assim reunir em uma família só ambas as heranças. E quando digo obrigar, é obrigar mesmo! E é assim que o Sr. Lockwood encontra a casa no morro dos ventos uivantes: um lugar cheio de pessoas duras de coração, ressentidas, arredias uma com as outras e cheias de ódio para distribuir. Mas também pudera, né? Leia outras resenhas Onde O Morro dos Ventos Uivantes está na literatura? Com tantas características em uma obra só, O Morro dos Ventos Uivantes não chega a ser enquadrado em uma única escola literária. O livro tem traços da Escola Romântica como a valorização da natureza, paixões intensas e personagens individualistas, além de abarcar o papel do herói byroniano. Lord Byron foi um poeta do século XIX e uma figura importante no romantismo. Um herói byroniano seria o que hoje conhecemos como anti-herói, e poderíamos definir como alguém fora dos padrões morais da sociedade, mas com capacidade de se afeiçoar romanticamente a alguém. Além disso carrega características como poder de sedução, conflitos emocionais, arrogância, esperteza e passado problemático. Lembra alguém? Heathcliff, embora sendo como é, tinha por Catherine um amor explosivo, exasperado, e até mesmo doentio, eu diria – a ponto de mandar o coveiro abrir o caixão dela e cavar ali do lado o lugar onde ele próprio queria ser enterrado. A obra de Emily Brontë também apresenta algumas nuances da Escola Gótica como atmosfera melancólica e eventos atrozes. O livro ainda teria uma pontinha ali de Realismo, dada a construção dos personagens. Uma história de amor? Há controvérsias. Pessoalmente, eu diria que de amor tem muito pouco nessa história. Na verdade, trata-se mais de uma vingança estimulada por um sentimento desprezado. Podemos perceber que a maldade de Heathcliff começou como uma resposta ao que ele sofrera na infância. No afã de retornar o mal que lhe fizeram, ele acabou dando abertura para uma geração tão perturbada quanto, uma vez que ele educou Harenton com …

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5 dicas para você não perder a concentração na leitura

Eu já passei por isso e você provavelmente também: ler um parágrafo ou uma página de um livro mais de uma vez porque estava distraído e não entendeu nada. Ou se perder nos pensamentos e se dar conta de que não sabe dizer o que aconteceu nas últimas cenas. Ou ainda ler cinco minutos, ficar entediado e correr para o celular e se entreter com mais facilidade. Isso é falta de concentração e pode acontecer até com o leitor mais apaixonado. Por isso hoje eu trouxe 5 dicas para você não perder a concentração na leitura. 1. Leia um livro que você gosta Você não vai e não deve gostar de todos os livros do mundo. Se clássicos não são a sua praia, não precisa ler – pelo menos não a título de entretenimento. Se aquele romance best-seller parece horroroso de chato, não tem por que ir até o final só para dizer que leu, né? Quando lemos algo por obrigação a nossa motivação de concluir diminui, sem contar que o processo é penoso e provavelmente levará você à procrastinação. Ou seja, um livro que você poderia terminar em um mês, termina em um ano – se terminar! A melhor alternativa é investir em livros do gênero ou temática que você já sabe que gosta. Em sites como Skoob você encontra em cada página de livro sugestões de títulos semelhantes. Também é possível ver informações na Amazon ou até no próprio Google. Aqui também vale releituras, ok? Nada impede que você resgate da estante um livro que já sabe de cor, mas que não te deixa despregar os olhos dele. “Eu não sei o que gosto, todos os livros são chatos para mim”. Eu já ouvi isso muitas vezes e sempre respondo a mesma coisa: não existe livro chato, existe o livro errado para você. Neste caso, a única solução é experimentar. Duvido que você não encontre um gênero para chamar de seu. Leia também Como adquirir o hábito da leitura 2. Leia um livro “fácil” O que seria um livro fácil? Aquele de linguagem simples, palavras comuns e frases que você pode pegar de primeira. Isso não quer dizer um livro ruim! Há livros excelentes, clássicos inclusive, de autores aclamados, onde o texto flui na sua cabeça como um rio limpo e fresquinho. Se você está tendo dificuldades na concentração, fuja das complexidades literárias. 3. Jogue o celular fora Você entendeu o que eu quis dizer. Se você é daqueles que olha o celular a cada cinco minutos e não resiste a uma notificaçãozinha, é melhor deixar ele bem longe da sua leitura. A cada vez que desvia a concentração você leva um tempo enorme para voltar ao foco outra vez. Melhor evitar esse retrabalho, né? 4. Não jogue o celular fora, mas entre em um acordo Por incrível que pareça, a cada sessão de leitura com o celular longe eu recebo trinta ligações, quinze de urgência e quinze de emergência. Além disso o chefe manda mensagem, a mãe pergunta uma coisa que não dá pra esperar, e o Twitter anuncia o fim do mundo. Isso acontece com você também? Por isso entre em um acordo consigo mesmo e combine de olhar o celular a cada fim de capítulo, ou cada vinte páginas, por exemplo. Assim você não atrapalha a leitura, mas também não deixa de atender ninguém (Atenção! Só responda se for realmente importante, do contrário é melhor deixar para o fim da leitura). Essa dica casa bem com a próxima: 5. Faça sessões curtas É mais fácil se concentrar por uma hora inteira ou por vinte minutos? Uma boa forma de se manter focado é imergir nela durante um tempo fixo. Pode ser dez, vinte, trinta minutos, o que funcionar melhor para você. Minhas sessões hoje variam entre 30 e 45 min. Você pode colocar um cronômetro ou ler perto de algum relógio. Durante esse tempo tente ao máximo não fazer outra coisa senão dar atenção ao seu livro. Gostou das 5 dicas para você não perder a concentração na leitura? Compartilhe com outros leitores! Gostou desse conteúdo? Faça parte da minha lista de e-mails e não perca nenhuma novidade * indicates required Email Address * Que tipo de conteúdo mais interessa você? Para Leitores Para Escritores Ambos

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[Resenha] Sempre A Mesma Neve e Sempre O Mesmo Tio – Herta Müller

Resenha Premiada com o Nobel de Literatura em 2009, Herta Müller reúne nesse livro uma coletânea de ensaios sobre sua vida de enfrentamento e resistência à ditadura romena. Perseguida, investigada, suspeita, Herta rebateu o regime com sua melhor arma: a literatura. Sinopse Talvez essa resenha fique curta para o que foi de fato a leitura desse livro para mim. Acontece que prefiro me preservar nas palavras do que correr o risco de dizer coisas que não estão à altura da obra de Herta. O regime do ditador comunista Nicolae Ceausescu durou anos no país e durante esse tempo Herta foi recrutada como espiã e ameaçada de morte depois da sua recusa. Do outro lado, era afastada dos colegas de trabalho por acharem que ela tinha, de fato, aceitado espionar. Enquanto isso ela e os próximos lidavam com o medo constante, a vigilância repressiva, os interrogatórios frequentes e o medo da morte, que era real. “[Saudação] A literatura fala com cada um individualmente – ela é propriedade privada que permanece na cabeça. Nada mais fala de maneira tão incisiva conosco que um livro. E não espera nada em troca, exceto que pensemos e sintamos”. Nos seus textos Herta traduz toda essa atmosfera em frases às vezes complexas, mas às vezes tão simples que nos arrebata pela poesia e metáforas certeiras. As palavras que ela escolhe para dar o tom são de uma genialidade e inteligência incrível. Ela quer nos contar o que aconteceu, quer contar para o mundo, quer externar, gritar, mas, por outro lado, parece que não quer nos chocar. Quer preservar o leitor da brutalidade escancarada. E para isso ela abre as próprias feridas, mas aguenta firme na dor. Leia outras resenhas A mãe de Herta passou cinco anos em trabalhos forçados na União Soviética, e seu pai fora membro da SS, o que fez com que ela alimentasse a figura do Estado como um inimigo, como uma sombra que rondou sua vida, escureceu o céu e impediu o sol de entrar. Um dos trechos em que isso fica claro é quando ela diz que lia os seus livros da maneira mais rápida possível, os engolia sem mastigar porque a qualquer momento um agente do governo poderia entrar e levá-la, e ela nunca saberia se iria voltar depois e terminar aquele livro. “[Na beirada da poça cada gato pula de um jeito diferente] Um dos meus amigos que cometeu suicídio gostava mais de viver do que eu e todos os amigos juntos. Ele procurava mais do que eu pela felicidade. Ao saltar pela janela, ele não procurou pela morte, mas apenas pela saída da infelicidade constante da vida. Quero não me esquecer dessa diferença”. Herta se exilou na Alemanha, onde também sofreu desconfianças, e seguiu sua vida denunciando um regime que tanto roubara dela e dos seus. Os amigos e personagens que aparecem em seus textos foram embora, alguns por atos externos, outros por atos próprios, e tudo que ela podia fazer era continuar escrevendo. Por isso seus textos são tão vivos e reais, porque ali está a história do lado que testemunhou e sobreviveu para contar o que viu. Sem dúvidas Sempre A Mesma Neve e Sempre O Mesmo Tio merece uma releitura, mas também quero conhecer a obra inteira de Herta e absorver pelo menos um pouco de tudo que ela tem a dizer. Sobre a autora Nasceu em 1953, na Romênia, e é escritora, poeta e ensaísta. Ainda jovem foi perseguida pelo governo de Nicolae Ceausescu ao recusar-se a colaborar com o serviço secreto e precisou mudar-se para a Alemanha, onde vive desde 1987 (Fonte: Site Companhia das Letras) Sobre o livro Título: Sempre A Mesma Neve e Sempre O Mesmo TioAutora: Herta MüllerEditora: Biblioteca AzulAno: 2012Páginas: 248Avaliação: 5/5 Você pode encontrar esse livro clicando aqui Essa publicação contém links afiliados e comprando através deles eu ganho uma pequena comissão sem custo adicional para você. Obrigada!

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