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    Estética, poesia e avós

    Algumas pessoas nascem com a alma naturalmente poética. Por ‘naturalmente” eu quero dizer sem investir tanto esforço a ponto de ficar artificial, sem autenticidade e humanidade. Falo da avó que cuidava da flor mais simples do quintal, aquela que nasce em qualquer canto, e não do universitário que faz dois riscos tortos na face e chama de arte.  Penso nas referências estéticas dessa avó sem Pinterest e sem Instagram com filtro do Vsco Cam. Ela achava uma coisa bonita e ficava lá olhando. No máximo, fotograva com uma câmera analógica, mas só se realmente valesse a pena, para não gastar o filme. Talvez foi assim que surgiram as fotos de…

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    Uma questão de sorte

    A Lindsay Lohan faz um filme muito bonitinho em que a personagem principal, Ashley, é uma baita de uma sortuda que depois de beijar um grande azarado troca de sorte com ele. Antes disso acontecer, em um dia de chuva, Ashley sai de casa e o porteiro do seu prédio a espera com um guarda-chuva na rua enquanto pede um táxi. Assim que ela põe os pés na rua, o céu abre e o dia cinza se transforma em um lindo de sol. Lembrei-me dessa cena ao ler em 1 Timóteo 6:8 que se temos alimento e vestuário, contentemo-nos com isso. Mais do que um impulso ao comodismo, pensar que…

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    Agora que cheguei ao futuro, quero voltar

    Quando criança, eu imaginava um futuro com carros voadores, roupas metálicas e teletransporte. Na minha mente, eu estaria dentro de um automóvel andando sobre ruas estupidamente limpas, prédios escandalosamente altos e espelhados, e totalmente confiada a uma inteligência artificial que diria com voz aveludada: “Seu destino está próximo”, e então deslizaríamos suavemente até o chão. Hoje estou no futuro e em vez de uma voz aveludada o que eu ouço é uma gritaria, e uma gritaria sem som porque se trata de uma gritaria de caracteres. Para onde quer que eu olhe, várias pessoas, inúmeras delas, uma verdadeira multidão, fala de mim. Elas falam sem quem eu possa ouvir uma…

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    Felicidade – Sabryna Rosa

    Em um país distante havia um homem muito rico cujo conselheiro o acompanhava desde a juventude. Era um sujeito sábio, coerente e humilde. No leitor de morte, o homem chamou o único filho e pediu que cuidasse de suas posses e não trocasse de conselheiro enquanto este vivesse. Dito isso, fechou os olhos e partiu. O filho, desacostumado a cuidar de finanças e negócios, mas bastante habituado a desordens de todos os tipos, passou a tratar com irresponsabilidade a fortuna do pai. O conselheiro, sabendo que fazia parte de sua função alertar e corrigir, lançou orientações e advertências. Apontou-lhe os erros e antecipou as consequências. Conheça meus livros Cansado de…

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    O mundo precisa ser salvo – Sabryna Rosa

    Jerônimo sonhou que realizava um grande feito. Em sua mente adormecida ele se viu em cima de um palco, vestido em um bom terno, debaixo de holofotes e sob os olhares atentos de uma plateia cheia de expectativa. Era cerca de 10 anos mais velho e sua oratória era perfeita. À medida que explanava suas ideias, via as luzes refletidas nos olhos de quem ouvia. Em um evento histórico, ele anunciava que descobrira como viabilizar a distribuição de água potável para todas as comunidades do mundo que sofriam com a escassez. Conheça meus livros Acordou eufórico, certo de que aquele era o seu propósito e a sua missão na Terra.…

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    Idas e vindas – Sabryna Rosa

    Uma garotinha esperava do lado de fora do consultório quando um corpo magro e trêmulo sentou à sua frente. Com o tronco curvado e as mãos entre os joelhos, o homem se acomodou meio desconfortavelmente no banco e balbuciou algumas palavras para si mesmo. A menina reparou no pé enfaixado e nos dedos cujas pontas não estavam mais lá e que pela cicatriz já haviam sido cortados fora há muito tempo. Curiosa, perguntou quem o acompanhava e como resposta ouviu um “Ninguém não” meio tímido. Imaginou ele voltando para casa guiando seu esqueleto cambaleante e um pé pela metade. Conheça meus livros Há algumas semanas, em outra sala do mesmo…

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    A forma que a inveja tem – Sabryna Rosa

    Antônia rolou o feed do Instagram até o fim para descobrir que a sua antiga amiga de escola se transformou em uma empresária de sucesso, casada com um homem igualmente bem sucedido e muito bonito. A menina magrinha e pouco charmosa deu lugar a mulher de corpo esculpido e dentes incrivelmente brancos. Antônia, por sua vez, ainda morava na mesma cidadezinha, dava aulas de espanhol e permanecia solteira. Morava com os pais em um sítio e não em um apartamento de frente para o mar. Contudo, não era segredo para Antônia, nem para ninguém, que Marília conquistou o sucesso no atual empreendimento depois de trapacear em negócio antigos, e que…

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    Atalhos – Sabryna Rosa

    Tinha por volta de 14 anos quando esbarrou em um andarilho na beira da estrada que lhe perguntou se ele gostaria de beber algo que o deixaria longe de todos os problemas e potenciaria sua capacidade intelectual. A mãe o advertira, mais de uma vez, a não aceitar nada de estranhos, mas a proposta era tão absurda que ele não viu mal em fazer parte da brincadeira e alimentar o descompasso de um homem sem os dentes da frente e quatro bolsas penduradas pelos ombros. O frasco transparente continha um líquido avermelhado muito semelhante a um suco de framboesa. Ele cheirou e sentiu um aroma agradável e floral. O sabor,…

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    O pedido – Sabryna Rosa

    Verônica assoprou as velas do seu bolo de aniversário e fez um pedido: desejou que nada nunca tivesse fim. Quis que seu namoro durasse para sempre, que seus amigos fossem fiéis e simpáticos por todo o tempo e que seu pais não deixassem de viver. Desejou também que Leleco, o cachorro, nunca fosse atropelado ou nunca ficasse tão doente a ponto de morrer em uma clínica veterinária fria e sem graça. Sem saber, lançou uma ordem ao tempo que fez os ponteiros congelarem. Seu namoro nunca virou casamento, seus amigos permaneceram tão dedicados a ela que deixaram de cuidar das próprias vidas, seus pais se separaram assim que perceberam muito…

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    Uma beleza calculada – Sabryna Rosa

    Sentada diante do espelho, a moça encarou a simetria de um rosto que ainda era seu ao mesmo tempo em que era estranho para si. Moveu o queixo meio centímetro para o lado esquerdo e depois dez centímetros para o lado direito. Em seguida, tocou a linha do maxilar com as pontas frias dos dedos e tentou encontrar alguma imperfeição. Tudo nela tinha um código. Seu passaporte fora substituído por outro com uma foto mais atualizada, já que a anterior não condizia em quase nada com a realidade, e seus documentos de identificação tinham o mesmo nome e número, mas não o mesmo rosto. Franziu a testa em pensamento e…

Sabryna Rosa