Houve uma época da minha vida em que eu tinha sonhos inusitados. A primeira vez aconteceu naquele verão em que viajamos para o litoral. Eu morava a trezentos quilômetros da cidade dos meus pais e, sempre que podia, visitava-os nos feriados. Era carnaval, e escolhemos uma pousada simpática, longe dos blocos de rua e perto do barulho das ondas. Sentados…
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A sujeira embaixo do tapete
Aos dez anos de idade, em certa ocasião, levei um “puxão de orelha” da diretora da escola na frente da turma inteira. Ela era uma mulher alta, negra, de cabelos crespos curtos e com fama de durona. Aliás, era por causa dela que os pais escolhiam aquela escola, por manter os alunos na linha. Mas naquele episódio eu não havia…
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Como marcar livros – técnica do grifo
Este é o primeiro artigo de uma série de publicações em que eu explico como faço uma leitura ativa nos meus livros. Por leitura ativa podemos entender como a leitura em que se interage com o texto por meio de grifos, marcações e anotações, explorando o conteúdo de modo mais efetivo. Técnica do grifo Grifar o texto é talvez a…
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#30 Daqui para frente sem olhar para trás
Há mais de um ano venho me preocupando com o dia do fatídico aniversário de 30 anos. Foi ontem. Um dia comum em que fiz faxina em casa, terminei a leitura de de um livro, cozinhei apenas para mim, vi TV, arrumei-me e saí para encontrar os amigos. Mas também fiquei triste, senti-me solitária, dei brecha para uma crise de…
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#29 Diversão
Nunca gostei de baladas, de festas e de bebidas, entrei na juventude com o espírito morno de quem acha a música alta demais, o lugar cheio demais e o conforto menos demais. Definitivamente, horas em pé não é para mim – mas ainda me submeto vez ou outra em um show de um artista do qual eu gosto. Sempre preferi…
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#28 Uma nuvem no céu
O dicionário conceitua epifania como percepção do significado essencial de alguma coisa, ou pode ser compreendido também como manifestação ou aparição divina. Ouso dizer que tive uma epifania quando olhei para uma nuvem no céu e senti mais do que nunca a presença de Deus. Parece meio cartunesco inferir que Deus está sentado sobre uma nuvem, mas aquela foi uma…
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#27 Agora e na hora de nossa morte
Quando “Tempo perdido”, de Legião Urbana, toca em um show, churrasco, barzinho, ou karaokê, cantamos a plenos pulmões que temos todo o tempo do mundo, que somos tão jovens… e por um breve instante acreditamos mesmo que temos e que somos. Para mim, o devaneio dura o exato tempo da música porque um dos fatos que tem estado claro à…
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#26 A empatia que me falta
Considero-me um ser humano razoavelmente empático, mas muito pouco dessa empatia é dirigida a mim mesma. Eu diria que quase nada. Desde quando eu compreendi que meus resultados são consequências diretas do meu esforço – combinado com um pouco de sorte ou da falta dela – eu passei a me cobrar e me punir de maneira bastante rígida. Você não…
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#25 De repente a vida real
De toda a vida que idealizei ter aos trinta anos, os únicos pontos que se concretizaram foi ter conseguido um emprego por meios próprios – e não por agrados feitos a quem eu não gostaria de agradar – e ter acesso à leitura e tempo para ler. Porque isso também é uma conquista, quiçá um privilégio. A minha pequena biblioteca…
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#24 O dia em que tudo começa pra valer
O evento que marcou a minha transição da juventude para a vida adulta foi perceber que seria eu por mim mesma até que as circunstâncias viessem a se alterar. Já não era mais obrigação dos meus pais prestar qualquer tipo de assistência e eu não tinha um companheiro, então tudo, absolutamente tudo, dependeria apenas de mim. Na infância, os pais…