Sou uma pessoa de poucos hobbies e um deles é assistir a filmes. Religiosamente, aos fins de semana, sem me importar com o nome do diretor (desde que o título esteja bem avaliado no IMDb), ou com o enredo (desde que não seja de terror), ou com o elenco (desde que não tenha o Pedro Pascal, porque estou saturada de vê-lo fazer filmes no atacado), abro um serviço de streaming e me entretenho. Não me considero cinéfila (nada contra, tenho até amigos que são!), sou apenas uma telespectadora que tem na lista dos favoritos filmes considerados medianos pelos especialistas. Se você quiser acompanhar minhas singelas opiniões, este é o meu…
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[Resenha] Livros demais! – Gabriel Zaid
Ler um livro de análise crítica publicado em 2002 é como encontrar um jornal velho, com a diferença de que, no jornal, as notícias de fato envelhecem, e livros como o de Gabriel Zaid tornam-se textos de referência. O que estava acontecendo em 2002? O 11 de setembro havia acabado de acontecer e mudado para sempre a segurança internacional, o Brasil ganhava o pentacampeonato, e a Amazon estava explodindo no comércio editorial. Em uma série de artigos, Zaid analisa a produção massiva de livros, a relação entre oferta e demanda, entre cultura e comércio, o comportamentos de leitores, e lança luz sobre uma questão que ainda hoje é pertinente: o…
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[Resenha] A Máquina do Tempo – H. G. Wells
No século XIX, um cientista entra em uma máquina construída por ele mesmo e se transporta mais de 800 mil anos para o futuro. Lá, encontra uma realidade bastante diferente da que conhecia e, aparentemente, perfeita. Ao longo dos dias, o Viajante do Tempo descobre que tanta harmonia teve um custo. No início do livro, o leitor observa uma reunião que acontece sempre às quinta-feira na casa de um cientista muito curioso e empenhado em criar engenhocas. Seus amigos são um jornalista, um psicólogo, um editor, e outros sujeitos identificados apenas pelas suas ocupações profissionais. Em suma, indivíduos de uma elite letrada que conversa sobre uma série de assuntos enquanto…
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[Resenha] Todos os caminhos levam a Roma – Scott e Kimberly Hahn
Desde a minha conversão, há cerca de cinco anos, eu ouvia falar do livro Todos os caminhos levam a Roma. É um título potente, objetivo, que sugere um conteúdo transformador. Contudo, pouco curiosa que sou, nunca me interessei em ler a sinopse, mas o mantive na minha lista de desejos por um bom tempo, até encontrar um exemplar em um sebo de feira do livro. Eu não sabia que essa edição narrava a conversão do casal Scott e Kimberly Hahn, nascidos e criados – como se diz aqui na minha terra – em famílias protestantes e convertidos ao catolicismo já adultos, casados, e pais de três filhos. No livro, ora…
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[Resenha] Filha – Manoela Sawitzki
Existe uma legião de filhos e filhas de pais desfuncionais que compartilha experiências e sentimentos semelhantes da própria história. Manoela Sawitzki divide com o leitor parte de suas memórias nesse relato quase autobiográfico e de título puramente sugestivo: Filha. A narrativa se desconstrói em volta da relação de uma filha caçula com seu pai, um sujeito autoritário, alcóolatra, violento, mas ainda seu pai. A voz do texto volta aos 11 anos de idade e, fase a fase, vai contando como era conviver com o inimigo sangue do seu sangue. Num contexto de anos 80-90, tudo era ainda mais complexo, uma vez que as relações domésticas se entrelaçavam às circunstâncias da…
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O Natal da Senhora Deise
Aquela hora do dia sempre chegava. Eu estava sentado no sofá, no meio da tarde chuvosa, com minhas velhas e confortáveis meias, quando minha mãe me mandava ao mercado comprar algum item que havia esquecido para o jantar. Era a tarde mais preguiçosa e aconchegante do ano, não fosse a bendita caixa de leite que escapara da lista de compras no dia anterior e agora cabia a mim e ao meu irmão buscar. Ainda havia isso: era preciso ir na companhia de Marcos. Por um lado, era justo, pois nenhum de nós dois seria beneficiado enquanto o outro fosse punido a sair sob a chuva. Por outro, meu irmão caçula…
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[Conto] Último dia
Eu estava atrasado quando entrei na sala de reuniões e coloquei, discretamente, a bandeja de sanduíches sobre a mesa, ao lado da torta de frango que eu sabia ter sido feita pela Norma, do setor de Recursos Humanos. Ela era uma senhora que quase sempre vinha trabalhar com o mesmo tipo de roupa: calça jeans, alguma blusa estampada, cabelo preso e sapatilhas. Tinha muitos vídeos dos netos no celular, e eu os assistia com atenção e paciência, pois gostava de receber, às segundas-feiras, um potinho com as sobras do almoço dela de domingo. Por isso, eu reconhecia aquela torta pelo cheiro. Ela estava do outro lado da sala, empolgada, filmando…
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O que estou fazendo por Jesus?
No último sábado, assisti ao filme Silêncio (Martin Scorsese), que trata da perseguição aos cristãos no Japão, no século XVII. É, sem dúvida, um filme voltado ao público católico, e muitas cenas apertaram fundo o meu peito, despertando em mim compaixão por aqueles que, até hoje, são perseguidos por causa da fé, além de me fazer refletir sobre o privilégio que é poder manifestar minha religião sem sofrer represálias — ou, pelo menos, sem sofrer represálias que atentem contra a minha vida. Em determinado momento do filme, camponeses são impelidos a pisar em imagens de Cristo e a maldizer a Virgem Maria, como prova de que não são cristãos. Eles…
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Literatura longa para uma vida breve
Um dos grandes pesares desta vida finita é a certeza de que não teremos tempo para ler todos os livros, assistir a todos os filmes, ouvir todas as músicas, contemplar todas as pinturas, esculturas e arquiteturas. Dançar todas as danças também não. Das sete artes, precisaremos escolher duas ou três que nos despertem maior interesse e nos concentrar nelas. Ou, se gostarmos de todas, usufruir um pouquinho de cada. Eu, por exemplo, debruço-me sobre a Literatura, o Cinema e a Música. É o que preenche a minha semana, e, às vezes, tenho a oportunidade de cruzar com a Arquitetura. Escultura quase nunca, Dança idem. Dentre todas, porém, a Literatura é…
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O dia depois de hoje
No início do mês de julho, o mundo do futebol foi surpreendido pela morte do jogador Diogo Jota, e do seu irmão, o também jogador André Silva, em um acidente de carro na Espanha. A notícia chocou todos os que acompanham não só o futebol, mas amantes de esportes por todo o mundo, pela violência da tragédia e pelo contexto em que ela aconteceu. Diogo, de 28 anos, havia acabado de se casar com a companheira de sua vida, Rute Cardoso, com quem tinha três filhos pequenos; havia sido campeão da Premier League, a competição mais popular do planeta, com o Liverpool; e também venceu a Nations League, com a…




























